Economia Azul

O Mar

Pelo mar fomos descobertos e por ele chegaram nossos primeiros invasores. Foi também pelo mar que consolidamos nossa independência e fixamos as fronteiras ao norte, sul e oeste - o que garantiu a integridade do nosso território, com dimensões continentais.


O Brasil possui o direito de explorar uma extensa área oceânica, de aproximadamente 5,7 milhões de km², que corresponde a cerca de 50% da nossa área continental.

Devido a sua importância estratégica, às riquezas nela contidas e à necessidade de garantir sua proteção e preservação, a Marinha do Brasil, buscando alertar a sociedade sobre seus incalculáveis bens naturais, suas riquezas, sua biodiversidade e sua vulnerabilidade, passou a denominá-la “Amazônia Azul”.

A História nos ensina que toda riqueza desperta a cobiça, e, portanto, a preservação e proteção da “Amazônia Azul” é uma questão de soberania nacional.


Dos mares, retiramos cerca de 85% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzidos no país. Por nossas rotas marítimas, escoamos mais de 95% do comércio exterior brasileiro.

Assim, entender a importância do mar e dos rios exige a absorção de conhecimentos e percepções que, normalmente, deixam de estar ao alcance de significativa parte do povo brasileiro. Porém, cada vez mais constatamos que é pela via marítima e por hidrovias que trafegam os produtos e serviços vitais para o Brasil.

Tendo em vista as diretrizes da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) e estudos geopolíticos voltados para os oceanos, a Marinha do Brasil vem consolidando o conceito político-estratégico “Amazônia Azul”, que insere em posição decisiva os espaços oceânicos e ribeirinhos sobre os destinos do povo brasileiro e na dinâmica das relações internacionais.


No mar não existem muros ou cercas. Na “Amazônia Azul”, os limites das nossas águas são linhas sobre o mar que não existem fisicamente. O que as define de forma concreta é a presença de navios da Marinha em permanente vigilância.

O Simpósio "Amazônia Azul", realizado no dia 12 de novembro de 2018, em Brasília, discutiu a proteção do espaço marítimo do Brasil. O evento visou, entre outros aspectos, despertar a atenção da sociedade brasileira para a importância de conhecer melhor esse espaço marítimo, suas potencialidades, sua biodiversidade e suas vulnerabilidades, de forma que fomentemos a consciência da necessidade de sua proteção como vital patrimônio brasileiro.

O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, destacou a importância dessa área para o Brasil: “A Amazônia Azul é um patrimônio incalculável, onde a ciência, a tecnologia, o desenvolvimento, a preservação ambiental e a defesa são preponderantes e são importantes".

Matéria sobre a "Amazônia Azul", veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, em 12 de novembro de 2018: clique aqui

A Economia Azul desponta como a nova fronteira da economia mundial. Ela se baseia no uso sustentável dos oceanos e seus recursos, voltado ao crescimento econômico, à segurança alimentar, à geração de empregos e na preservação do meio ambiente marinho.

Dentre os objetivos do desenvolvimento sustentável, destacam-se a conservação e o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos.

Novas tecnologias abrem novos horizontes:

  • Inteligência artificial, sensores, robótica, novos materiais, big data, processamento de imagem e algoritmos avançados transformam a bioprospecção, uso e mapeamento do mar;
  • Tecnologia atual diminui custos, aumenta a precisão e permite a exploração do mar com mais segurança; e
  • Novo ciclo tecnológico empurra a pesquisa científica e empresarial para a diversificação de suas fontes e áreas de atuação.

Em aproximadamente 8.500 km de faixa litorânea, concentram-se 80% da população, são produzidos 90% do produto interno bruto (PIB) brasileiro e estão localizados os principais destinos turísticos nacionais.

Perspectivas de mercado:

Cluster Marítimo Brasileiro

Introdução

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O Brasil é um país marítimo por natureza. São aproximadamente 8.500 km de faixa litorânea e uma área oceânica de cerca 5,7 milhões de km². Essas características, aliadas à posição geográfica, conferem ao país destaque geopolítico e estratégico. Para o Brasil, o uso sustentável dos oceanos por meio de atividades econômicas marítimas não é apenas uma possibilidade, mas uma oportunidade. A formação (e o posterior desenvolvimento) de um cluster marítimo brasileiro surge como viés ideal para a exploração das vantagens dessa oportunidade de forma a alavancar o desenvolvimento econômico nacional.

Conceito

O conceito de cluster representa uma moderna abordagem das economias urbanas, regionais e nacionais, e aponta para a necessidade da formulação de políticas econômicas, incentivos e estratégias de desenvolvimento por parte dos governos. O resultado é o aumento da produtividade, do emprego e do consumo, além do incremento do próprio setor assim organizado.

Formação

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Formar um cluster marítimo significa agrupar indústrias, empresas, instituições (governo, órgãos de classe, universidades), serviços e atividades ligadas à economia azul (economia do mar) para fomentar o desenvolvimento da área.

No contexto brasileiro, assim como ocorreu em diversos países da Europa, nos Estados Unidos e no Japão, a indústria da construção naval pode ser vista como a indústria-chave desse conjunto de atividades – principalmente porque seu produto significa insumos para várias atividades econômicas ligadas ao mar.

Clusterização Marítima

A clusterização marítima é elemento relevante para a mobilização entre os setores públicos e privados na consecução de objetivos estratégicos associados ao mar, propulsor da economia azul, os clusters são afetos à participação direta econômica de agentes produtores e reguladores, mas também, são mecanismos de manifestação de interesses múltiplos em benefício do desenvolvimento. Uma política associada ao cluster pode alcançar diretrizes que uma política setorial não alcança.

Camadas do Cluster

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1) Ambiente de áreas de negócios, agentes econômicos empresariais atraídos à aglomeração e formação de cadeias produtivas que dão dinâmica ao cluster.

2) Núcleo de governança político-estratégica– formado por órgãos da administração pública e responsável pelas políticas públicas, estratégias e planos;

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3) Setores de atividades da economia do mar– áreas de atividades econômicas brasileiras que integram a economia azul;

4) Clusters regionais especializados– aglomerações de agentes econômicos em regiões geográficas que apresentem vantagens competitivas e comparativas;

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Rio de Janeiro

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Levando em consideração a carteira de negócios estabelecida pela Marinha do Brasil no Rio de Janeiro (principalmente pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos), a organização de um Cluster Tecnológico Naval de Defesa pode ser considerada como fato. Além deste, outros podem surgir e compor o cluster marítimo do Rio de Janeiro: offshore, turístico, petroquímico, de construção e reparação naval mercante.

Cada vez mais, o mar se impõe como elemento essencial no jogo econômico não apenas nacional, mas global. O Brasil e suas potencialidades são terreno fértil para o desenvolvimento de uma economia marítima moderna e promissora.