Brasília, terça-feira, 21 de maio de 2013


A Crítica-AM

Marinha flagra barcos irregulares e passageiros sem coletes em principais praias de Manaus


Correio Braziliense

Fim do voto secreto emperra na Câmara


Diario do Vale-RJ

Brasil fica em segundo lugar em ranking de eficiência nuclear


Folha de São Paulo

Donos de portos financiaram políticos
Coreia do Norte lança sexto míssil em exercício
Dilma fará visita de Estado em outubro, confirmam americanos
Veto pode afetar investimento de armadores em portos


Jornal do Senado

Renan: possíveis vetos à Lei dos Portos serão examinados pelo Congressso


Ministério da Defesa

Amorim fala sobre os principais projetos da defesa nacional no programa É Notícia da Rede TV!
Operação Ágata apreende U$ 260 mil em Santa Catarina
Brasil vai ajudar Haiti a formar novos engenheiros


MS Notícias

FORÇAS ARMADAS INICIAM OPERAÇÃO ÁGATA 7


O Estado de São Paulo

Para Patriota, EUA não veem saída militar
Oposição da Venezuela divulga áudio que expõe complô e divisão chavistas


O Globo

Barbosa critica Congresso e reabre crise entre os poderes
CAPA
SINAL DE ALERTA - Juventude atrás das grades
Transpetro não retoma encomendas
ATAQUES EM SÉRIE NO IRAQUE - Guerra civil à espreita
Hezbollah perde 30 soldados em batalha por reduto rebelde sírio


Revista Exame

Há risco de guerra da água na Ásia-Pacífico, alertam líderes


Complemento da Sinopse


A Crítica-AM

Marinha flagra barcos irregulares e passageiros sem coletes em principais praias de Manaus

Durante os finais de semana, três embarcações da Marinha têm fiscalizado os principais 'points' escolhidos pela população para banho

Carolina Silva e Ana Celia Ossame



Rebocador apreendido não tinha qualquer documento e transportava mais de 15
pessoas, todas sem coletes


O verão amazônico ainda nem começou, mas os dias quentes, com temperatura de pelo menos 31 graus, têm tirado muitos manauenses de casa para se refrescar no rio Negro. Porém, não só o número de pessoas nas áreas frequentadas para banho deve aumentar, mas também as irregularidades nas embarcações. Neste domingo (19), a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC) abordou 44 embarcações entre motos aquáticas (jet skis), lanchas de esporte e recreio, e também de transporte de passageiros. Desse total, nove foram notificadas e duas apreendidas.

Durante os finais de semana, três embarcações da Marinha têm fiscalizado os principais “points” escolhidos pela população para banho. A ação abrange as praias da Ponta Negra, da Lua, do Tupé, Prainha e lago do Tarumã-Açu.

A CRÍTICA acompanhou a operação e constatou a imprudência cometida por muitos banhistas na hora de lazer. Toda embarcação deve estar de acordo com as Normas de Autoridade Marítima (Norman).

Durante a fiscalização no lago do Tarumã-Açu, um rebocador que estava sendo usado como embarcação de transporte de passageiros foi apreendido. Mais de 15 pessoas estavam abordo, algumas crianças, e todas estavam sem coletes salvavida.

Além disso, o homem que pilotava a embarcação não tinha habilitação exigida e nem portava a documentação da embarcação. A mesma teve que retornar ao local de saída.

Outra embarcação apreendida transportava três adultos e uma criança. O rapaz que pilotava tinha habilitação, mas não portava a documentação da mesma. Outra irregularidade encontrada foi a ausência de coletes para todos que estavam a bordo. O barco possuía apenas dois coletes e nenhum para criança e também teve que retornar ao local de saída. A embarcação só poderá voltar a navegar após a regularização junto à Capitania dos Portos.

Um total de nove embarcações foram notificadas de 8h às 17h50 desse domingo durante a fiscalização da Capitania. Asnotificações se deram por falta de documentação da embarcação, seguro da embarcação vencido (o documento precisa ser renovado anualmente) e também por falta de coletes salva-vidas.

Na maioria das embarcações abordadas, as pessoas eram flagradas sem o colete salva-vida, equipamento de segurança obrigatório. O problema não ocorre somente em lanchas, mas em embarcações de pequeno porte, as “rabetas”, também usadas pelos banhistas para se deslocarem às praias.

Ponta Negra com poucas embarcações
Na praia da Ponta Negra, nenhuma irregularidade foi encontrada pela equipe de fiscalização da Capitania dos Portos. Ao contrário dos dias em que esteve interditada, poucas lanchas e motos aquáticas foram vistas às margens da praia. Apenas uma lancha foi abordada pela fiscalização, que constatou o cumprimento de todas as normas. Na chamada Prainha, a movimentação de embarcações, tanto lanchas como motos aquáticas, também foi baixa. Quem precisou ser abordado pela equipe de fiscalização foram os banhistas que subiam em uma árvore e pulavam na água de uma altura de mais de três metros.

A Capitania dos Portos deverá intensificar a ação durante o período do verão. A chamada “Operação Verão”, além de inspecionar as documentações das embarcações e dos próprios condutores, vai executar ações educativas e testes com etilômetros (bafômetros) para evitar acidentes.

Salva-vidas tiveram trabalho
Nada de preocupação com jacarés. Neste domingo, os primeiros frequentadores da Praia da Ponta Negra – aberta após mais de 20 dias da interdição causada pelo aparecimento de jacarés nas imediações do balneário - queriam aproveitar a liberação, que contou com forte aparato de segurança oferecido por redes de proteção, monitoramento de seguranças e salva-vidas. Até as 10hs, a quantidade de pessoas na praia era pequena, porque muitos ainda não acreditavam na reabertura.

Mas alguns dos poucos banhistas que foram à praia insistiam em se arriscar, tentando ultrapassar as boias que indicavam os limites para um banho seguro. A tentativa era repreendidapelos salva-vidas postados em vários pontos da orla. “O pior é que vai ser assim o dia inteiro”, lamentou um dosprofissionais.

Satisfeita com a reabertura da praia, a servente Suze Queiroz, 29, aproveitou o dia para levar o filho Igor, de três anos, para se refrescar. “Sempre vim aqui porque é a única opção que temos para um banho no rio”.

Moradora da Cidade de Deus, Zona Norte, ela resolveu ir para confirmar a liberação e disse que o perigo dos jacarés não assusta agora com as redes de proteção. Mas Suze prometeuficar atenta à recomendação de não passar do marco das boias.

Quem também não se preocupou com jacarés foi o aposentado e triatleta Aleixo Marques de Araújo, 70, por entender que,com o barulho feito pelas pessoas nas águas, os animais seriam afugentados. “Jacaré gosta de praia e como já está muito alagado por aí, eles encontraram essa aqui para ficar, mas coma movimentação eles vão embora”, garante.

O casal Deusilene dos Santos, 41 e Fábio Nogueira, 39, levou o casal de filhos, Daniel, 2 e Ana Júlia, 5, para tomar banho. “É a primeira vez que a gente vem e gostamos de saber que podemos ficar aqui”, afirmou ela, que mora na Avenida do Turismo.

Correio Braziliense

Fim do voto secreto emperra na Câmara

Proposta do senador Alvaro Dias chegou à CCJ da Casa em agosto do ano passado, mas não foi analisada. Mensaleiros e tucano amigo de Cachoeira agradecem a demora

Juliana Colares


Aprovada há oito meses no Senado, a proposta de emenda à Constituição que acaba com o voto secreto nas decisões sobre perda de mandato está emperrada na Câmara dos Deputados. De iniciativa do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a PEC tramita desde 2007. Andou a passos lentos por cinco anos até que o processo de cassação do senador Demóstenes Torres — acusado de envolvimento com o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira — deu o embalo que faltava para o assunto ser apreciado no plenário do Senado. A demora fez com que a votação que decidiu pela perda de mandato de Torres fosse secreta. Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara desde agosto do ano passado, a PEC recebeu parecer favorável em novembro, mas ainda não foi à votação no colegiado. Nos próximos meses, a Casa pode se ver obrigada a apreciar pelo menos um processo de cassação.

Três deputados federais respondem a processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. A investigação está mais avançada no caso de Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), também suspeito de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A representação contra Leréia foi feita pela Mesa Diretora da Casa, que aprovou por unanimidade o parecer do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Segundo o relator, além de amigo, Leréia tinha negócios com o bicheiro. De acordo com ele, mais de 100 interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelam trocas de favores e repasses de dinheiro de Cachoeira para o tucano. Para Goergen, há indícios suficientes para a cassação.

Os outros parlamentares denunciados ao Conselho de Ética são Eudes Xavier (PT-CE) e Devanir Ribeiro (PT-SP). O primeiro disse em plenário que existem provas de que o governador do Ceará, Cid Gomes, e alguns de seus secretários contrataram uma empresa de espionagem com dinheiro público para investigar clandestinamente adversários políticos. A acusação lhe rendeu representação por parte do PSB, partido de Gomes. Devanir Ribeiro foi acusado pelo DEM de agredir física e moralmente o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS). Os dois casos estão em fase de apuração preliminar e, no conselho, a expectativa é de que eles sejam arquivados.

Também correm risco de cassação os quatro deputados condenados no processo do mensalão — João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Além deles, pode ser punido com perda de mandato o deputado Natan Donadon (PMDB-RO), condenado a 13 anos e 4 meses de prisão por formação de quadrilha e peculato. Ele foi acusado de desviar mais de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia.
A assessoria do presidente da CCJ da Câmara, Décio Lima (PT-SC), informou que “há um volume gigantesco de proposições” no colegiado e que a ordem de apreciação segue os “interesses da sociedade”, pedidos de parlamentares, da liderança do governo e de partidos políticos. Não há data para votação da PEC no colegiado.

Na última segunda, o Correio fez um levantamento para saber o que os 81 senadores pensam sobre o fim do voto secreto. Sessenta deles se disseram favoráveis a alterações em pelo menos um dos dispositivos da Constituição que tratam do assunto. Trinta e dois defenderam a retirada total da previsão de voto secreto parlamentar da Carta Magna. Proposta que trata do assunto foi reapresentada em abril deste ano pelo senador Paulo Paim (PT-RS). A proposição prevê o fim do sigilo para as cassações, análise de vetos e nomeações de autoridades.

Diario do Vale-RJ

Brasil fica em segundo lugar em ranking de eficiência nuclear


A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acaba de consolidar os dados que mostram o desempenho de todas as usinas nucleares do mundo em 2012. Segundo levantamento sobre os fatores de disponibilidade por país, o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, ocupou a vice-liderança no ranking, com 92%, ficando atrás apenas da Romênia, com 92,6% (veja a tabela). Esse número mede a produção efetiva de uma usina em relação à sua capacidade máxima durante um período determinado.

O desempenho obtido só confirma os resultados já divulgados, no início do ano, pela Eletrobras Eletronuclear. Nos últimos três anos, Angra 1 e Angra 2 bateram recorde de produção. As duas usinas fecharam o ano de 2012 gerando, juntas, mais de 16 milhões de megawatts-hora (MWh) - a melhor marca da história da central nuclear de Angra dos Reis.

Prejuízo
A Eletrobras apresentou resultado negativo líquido consolidado de R$ 36 milhões no primeiro trimestre de 2013, contra um prejuízo de R$ 10,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado e um lucro de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2012. O Ebitda (sigla em inglês de Lucros antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) foi positivo em R$ 141 milhões, contra R$ 2,2 bilhões nos três primeiros meses de 2013. O resultado deste trimestre foi o primeiro a refletir as novas tarifas de geração e transmissão de energia, alteradas pela lei 12.783/2013. O resultado foi melhor do que o esperado pelo mercado.

O maior impacto positivo no resultado do primeiro trimestre - e principal responsável pelo prejuízo haver sido menor do que o previsto pelo mercado - veio das operações no mercado de energia de curto prazo da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), relativas a Chesf, Eletronorte e Furnas, que produziram uma receita de R$ 816 milhões.

Do lado negativo, o que mais impactou foi o custo do combustível para produção de energia por parte das térmicas do Sistema Eletrobras, que chegou ao montante de R$ 557 milhões no primeiro trimestre de 2013, contra R$ 89 milhões nos primeiros três meses do ano passado.

Também merecem destaque nesse quesito a redução da conta de repasse de Itaipu, que foi negativa em R$ 85 milhões (contra R$ 706 milhões positivos no mesmo período de 2012), e o aumento das provisões para contingências, que passaram de R$ 103 milhões, no primeiro trimestre de 2012, para R$ 275 milhões no mesmo período deste ano.

Outros dois pontos positivos podem ser destacados no balanço do primeiro trimestre de 2013 da Eletrobras: o menor ritmo da elevação da conta de Pessoal, Manutenção e Serviços (PMS) - cujo crescimento foi de 7,9% nos três primeiros meses de 2013, contra 10% no mesmo período do ano passado - e a dívida líquida, negativa em R$ 8,2 bilhões, o que faz com que a empresa tenha, na verdade, um caixa líquido positivo, favorecendo, assim, a sua capacidade de investimento.

Folha de São Paulo

Donos de portos financiaram políticos

Doações a campanhas e partidos superaram R$ 120 milhões no período de 2010 a 2012

Andreza Matais, Breno Costa, Dimmi Amora e Rubens


Um grupo de 28 empresas e famílias que exploram portos no Brasil injetou pelo menos R$ 121,5 milhões em campanhas eleitorais e na direção de partidos políticos em apenas três anos, de 2010 a 2012.

As empresas tinham interesses diversos na discussão da Medida Provisória dos Portos, proposta de alteração das regras do setor apresentada pelo governo Dilma no fim de 2012 e aprovada no Congresso na semana passada
.

Parte dessas companhias defendia desde o início as alterações por acreditar que abririam espaço para novos negócios. Entre elas estão nomes como Odebrecht, Triunfo e o grupo de Eike Batista.

Do outro lado estavam companhias como Santos Brasil e Libra Holding, operadoras de terminais que temiam perder espaço. Nos bastidores, as empresas tentaram inserir mudanças no texto quando perceberam que a medida seria aprovada.

Duas entidades operaram o lobby no Congresso: a ABTP, dos terminais portuários, e Abratec, dos terminais de contêineres. Os presidentes da ABTP, Wilen Manteli, e da Abratec, Sérgio Salomão, estiveram no Congresso e conversaram com parlamentares ao longo da votação.

Outro nome do lobby empresarial foi Richard Klien, sócio do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, na Santos Brasil. A empresa administra o maior terminal de contêineres do país e registrou no ano passado uma receita de R$ 1,3 bilhão.

A Folha apurou que, nos dias que antecederam a votação da MP, Klien manteve conversas com líderes políticos em Brasília. Procurada, a assessoria do empresário não havia confirmado nem negado a informação até a conclusão desta edição.

Klien e seus familiares doaram R$ 3,6 milhões como pessoas físicas. Desse total, metade foi para o comando nacional do PMDB. Klien é antigo apoiador do senador José Sarney (PMDB-AP).

O grupo empresarial sob controle de Dantas, que inclui o banco Opportunity e a Agropecuária Santa Bárbara, doou mais R$ 3,9 milhões, 97,4% dos quais para a Direção Nacional do PT.

O maior doador do setor foi o grupo Odebrecht, com R$ 66 milhões. O PT recebeu 36% desse volume, seguido por PSDB (28,5%) e PMDB (22%).

A Libra Holdings direcionou 57,5% de suas doações para o PSB, partido do ministro Leônidas Cristino (Secretaria Especial de Portos).

O valor doado pelo setor de portos nesses três anos equivale a tudo o que foi arrecadado pelos prefeitos eleitos de 26 capitais em 2008, em valores nominais.

O setor de planos de saúde doou, no ano de 2010, R$ 11,8 milhões por meio de 48 empresas, segundo estudo de pesquisadores da UFRJ e da USP.

Folha de São Paulo

Coreia do Norte lança sexto míssil em exercício

Manobra militar do país já dura três dias


A Coreia do Norte disparou ontem mais dois mísseis de curto alcance, completando seis lançamentos em três dias, e condenou a Coreia do Sul por criticar o que o Pyongyang afirma ser testes legítimos.

"Estamos realizando exercícios militares intensos para reforçar a nossa capacidade de defesa", disse o Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, segundo a agência de notícias da Coreia do Norte KCNA.

Os primeiros lançamentos já haviam sido condenados pela comunidade internacional no sábado, incluindo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que acusou o país de "ação provocativa".

Folha de São Paulo

Dilma fará visita de Estado em outubro, confirmam americanos
Luciana Coelho


O Departamento de Estado dos EUA confirmou para 23 de outubro a visita da presidente Dilma Rousseff a seu colega Barack Obama.

Diferentemente de sua ida ao país em abril de 2012, Dilma será recebida em visita de Estado
.

As diferenças são mais de protocolo do que de conteúdo. A visita de Estado prevê um jantar de gala e um pronunciamento conjunto seguido de entrevista coletiva no jardim da Casa Branca. No ano passado, Dilma participou de um almoço de trabalho com Obama e de um briefing a repórteres no Salão Oval.

O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Estado, John Kerry, ao lado do ministro Antonio Patriota, em visita oficial, e detalhado pelo chanceler brasileiro.

É a primeira vez que Patriota, ex-embaixador em Washington, visita Kerry, ex-chefe da comissão de Relações Exteriores do Senado, desde que o americano substituiu Hillary Clinton neste ano.

O chanceler americano, que classificou a relação entre EUA e Brasil como "extremamente importante" e "cada vez mais significativa", prometeu visitar o país em breve e brincou que "dará um jeito" de ir à Copa.

Na pauta ontem, estavam a segurança energética --Patriota disse que o Brasil tem interesse em uma cooperação com os EUA na exploração de gás de xisto--, comércio bilateral, segurança alimentar, educação, ciência e tecnologia, clima, ambiente e segurança pública.

"O Brasil tem sido muito importante em seu compromisso com desafios globais --desempenhou um papel de destaque no Haiti e tem assumido compromissos importantes com a crise na Síria", afirmou Kerry, aludindo à guerra civil, um dos principais impasses de política externa de Obama.

Patriota ainda disse que os países têm interesse em uma nova reunião em Genebra sobre contenção da violência na Síria e uma transição política sem ação militar.

Na próxima semana, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, visitará o Brasil.

Folha de São Paulo

Veto pode afetar investimento de armadores em portos

Emenda ao texto aprovado na quinta-feira foi incluída sem acordo com o governo

Dimmi Amora e Valdo Cruz


A presidente Dilma Rousseff pode vetar uma emenda à Medida Provisória dos Portos que prejudica grandes operadores de navios que queiram investir nos portos públicos do país.

A MP que regula o setor portuário foi aprovada na quinta-feira passada por 53 votos a 7, no último dia de sua validade - se não fosse aprovada no dia 16, ela deixaria de vigorar.

Dentre as principais mudanças estão a permissão para que portos privados movimentem cargas de qualquer cliente (e não apenas cargas próprias) e a decisão de renovar por mais 25 anos as concessões de terminais que operam em portos públicos, se eles fizerem investimentos.

Sem acordo com o governo, o relator da medida, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), incluiu uma emenda que limita a 5% a participação dos operadores de navios, também chamados de armadores, na sociedade das empresas que administrarão concessões em portos públicos brasileiros.

Três grandes operadores mundiais de navios - Maersk, MSC e Hamburg Sud - já atuam em portos privados no país. Nesse caso, eles não seriam afetados pela medida.

No entanto, se tiverem que disputar concessões em portos públicos, teriam sua atuação limitada, o que poderia desestimular a participação.

Como a emenda entrou sem acordo, está entre as que o próprio relator diz que o governo Dilma não tem compromisso de manter.

NOVOS PRAZOS
Outra emenda que também tende a ser vetada amplia o prazo de prorrogação dos contratos de concessão assinados até 1993. Ela foi introduzida na comissão prévia de análise da MP no Congresso.

Os deputados trocaram uma emenda em que o governo aceitava prorrogar contratos de concessão de terminais em portos públicos vencidos assinados até 1993 por até cinco anos por outra com renovação "pelo mesmo tempo previsto no contrato". Isso pode fazer alguns contratos valerem por até 20 anos.

Na prática, essa renovação atrapalharia o plano do governo de licitar 159 terminais portuários nos próximos anos com o intuito de torná-los maiores e mais competitivos.

A avaliação da área técnica é que esses terminais são inadequados aos tamanhos atuais de navios e é necessário juntar suas áreas para relicitá-los em novos tamanhos.

Outros pontos também podem receber vetos para tornar o texto juridicamente adequado. Isso porque, ao longo da tramitação, a MP original foi muito alterada, em parte com o aval do governo, o que pode fazer com que haja problemas jurídicos.

Jornal do Senado

Renan: possíveis vetos à Lei dos Portos serão examinados pelo Congressso

Líderes partidários serão convocados para definir prioridades, se houver mudanças. Presidente do Senado e outros parlamentares criticam a forma como ocorreu a tramitação


Se a presidente Dilma Rousseff vetar dispositivos da nova Lei dos Portos, que resultará da Medida Provisória 595/2012, será convocada uma sessão do Congresso Nacional para analisar as mudanças no texto. O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que convocará os líderes partidários para a definição dos vetos que serão prioritariamente examinados.

— O processo legislativo só se completa com a apreciação de possíveis vetos. É natural. A Constituição garante à presidente fazer o veto que ela imaginar que deva fazer. Garante também ao Congresso apreciar esses vetos.
Nós já fizemos isso com relação ao pré-sal — disse Renan.

A MP dos Portos foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado quinta-feira — último dia para que a medida provisória não perdesse a validade. Renan voltou a criticar a demora no encaminhamento da proposta pela Câmara e comunicou que tornará oficial a determinação de não colocar em pauta novas MPs que cheguem com prazo a expirar.

— Vou reunir a Mesa do Senado e formalizar essa decisão. Nós não vamos pautar nenhuma medida provisória que chegue com menos de sete dias [para perder a validade]. Eu entendo que apreciar uma MP no laço, nas últimas horas de sua vigência, é limitar o papel constitucional do -Senado — reiterou o presidente da Casa.

Anulação da sessão
Ainda sobre o processo de votação da medida provisória no Senado, Renan criticou o mandado de segurança apresentado por senadores da oposição pedindo ao Supremo Tribunal Federal para anular o resultado da sessão.

O ministro Celso de Mello negou a liminar. Renan observou que o Regimento Interno foi cumprido durante a sessão, assim como o direito de -manifestação da oposição.

Alguns deputados do PMDB e da base de apoio do governo tentaram obstruir a votação da MP durante a análise pela Câmara. A dificuldade de aprovar a medida provisória naquela Casa motivou questionamentos de jornalistas sobre um possível desgaste da relação PT-PMDB para as eleições de 2014. Isso foi negado pelo presidente do Senado.

— O PMDB e o PT vivem talvez o melhor momento da aliança política. O que importa é o resultado, que o Congresso Nacional aprovou a medida que moderniza os portos, era isso que a -sociedade queria — disse Renan.

O senador acrescentou que é natural haver divergências de opinião entre os parlamentares, especialmente em um partido grande como o PMDB.

O partido é muito grande, tem muitas correntes, e é natural que correntes divirjam entre si dentro do partido e do governo também. O fundamental é manter a coerência do apoio ao Brasil. Não ter crise existencial. Está lá o interesse nacional, lá estará o PMDB majoritariamente a defendê-lo — afirmou.

Ministério da Defesa

Amorim fala sobre os principais projetos da defesa nacional no programa É Notícia da Rede TV!


O ministro da Defesa, Celso Amorim, participou neste domingo do programa É Notícia, da Rede TV!, apresentado pelo jornalista Kennedy Alencar. Na entrevista, Amorim falou sobre alguns dos principais temas da defesa nacional, e também sobre a relação entre a pasta que dirige e a política externa brasileira.



Entre os assuntos tratados no programa, figuraram a preparação dos militares para as ações de segurança nos grandes eventos – como a Copa das Confederações e a visita do papa Francisco -, o reequipamento das Forças Armadas, as operações de proteção da fronteira do país, e a nomeação do diplomata Roberto Azevêdo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ministério da Defesa

Operação Ágata apreende U$ 260 mil em Santa Catarina


A 14ª Brigada de Infantaria Motorizada apreendeu, no último domingo (19), U$ 260 mil que estavam em um saco plástico embaixo do banco do motorista de um veículo BMW. O flagrante ocorreu na BR-280, na cidade de Maravilha (SC), e foi fruto de mobilização iniciada no fim de semana pela Operação Ágata 7, que acontece em toda a faixa de fronteira do Brasil.

Trata-se da maior apreensão de moeda americana já feita no âmbito da Ágata. Até então, a soma de dólares apreendidos na operação desde 2011 era de U$ 250 mil.

A quantia era portada por um brasileiro de 35 anos, que não apresentou justificativa para a posse. “Chamou a atenção o montante de dinheiro e a localização da apreensão, uma rota alternativa do estado de Santa Catarina”, disse o general Carlos Bolivar, comandante militar do Sul.



Bolivar é o responsável pelo monitoramento de 2.484 quilômetros da fronteira Sul, que vai do Chuí , no Rio Grande do Sul, a Guaíra, no Paraná.

Segundo o general, os dólares foram recolhidos e encaminhados à Receita Federal, que vai investigar a origem e o destino do dinheiro. O condutor do veículo foi conduzido à delegacia da Receita Federal em Dionísio Cerqueira (SC), onde ele e o veículo foram liberados.

Grandes eventos
A ação da Ágata na área do Comando Militar do Sul (CMS) já começou a produzir resultados. Em dois dias de operação, foram apreendidos 772 pacotes de cigarros e 203 metros cúbicos de roupas, brinquedos e eletrônicos contrabandeados.



Para o general Bolivar, a ação das Forças Armadas no combate aos crimes de fronteira representa também um exercício importante para os grandes eventos no Brasil. “Toda essa mobilização ajuda também a aplicar nossa capacidade nos locais em que acontecerão os grandes eventos no Brasil”, disse.

A Operação Ágata 7 acontece nos 16,8 mil quilômetros de fronteira terrestre do Brasil com dez países sul-americanos. A ação visa combater crimes como narcotráfico, contrabando e descaminho, tráfico de armas e munições, crimes ambientais, contrabando de veículos e garimpo ilegal, entre outros.

A iniciativa integra o Plano Estratégico de Fronteiras (PEF) sob a coordenação do Ministério da Defesa e comando do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). A execução cabe à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Além das Forças, a operação conta com a participação de 12 ministérios e 20 agências governamentais, além de aglutinar instituições dos 11 estados da região de fronteira.

Ministério da Defesa

Brasil vai ajudar Haiti a formar novos engenheiros


O Brasil deverá ajudar o Haiti a formar engenheiros, capacitando-os a elaborar e executar projetos com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país caribenho. A oferta foi feita esta manhã pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao primeiro-ministro do Haiti, Laurent Salvador Lamothe, durante reunião na sede do Ministério da Defesa, em Brasília.

Segundo Amorim, o auxílio brasileiro compreenderá não somente o envio de professores e a estruturação do curso de formação de engenheiros, mas também a construção, em território haitiano, da estrutura física necessária para abrigar os alunos, além da aquisição dos equipamentos e do material que será utilizado nas aulas.

O curso deverá ser ministrado por docentes do corpo de engenheiros militares brasileiros. De acordo com Amorim, a ideia é formar cerca de 500 haitianos no Brasil e outros 1.000 no próprio Haiti. Esses profissionais sairão capacitados não somente nas habilidades específicas da profissão, mas também para lidar com ações de defesa civil e de resposta a catástrofes naturais, situações muito comuns na ilha caribenha.

A oferta brasileira foi bem recebida pelo representante haitiano. Lamothe afirmou que seu país está preparado para receber o apoio na formação profissional em engenharia. Ele lembrou que nos últimos três anos seu país sofreu três catástrofes naturais, incluindo o trágico terremoto de 2010, além de furacões.

Durante o encontro, ficou acertada a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países, cujos termos serão objeto de tratativas entre a diplomacia dos dois países. Em breve, o Brasil deverá enviar uma missão ao Haiti para discutir os detalhes da cooperação, que recebeu, segundo informou Amorim, o aval da presidenta Dilma Rousseff.


Nova etapa
A formação de engenheiros faz parte do conjunto de iniciativas que marcam uma nova etapa na cooperação do Brasil com o Haiti. Esse novo momento, como explicou o ministro brasileiro, deverá priorizar ações de caráter estruturante, que auxiliem o país caribenho a criar condições efetivas para seu desenvolvimento socioeconômico. “Iniciativas como essa fazem parte da herança que o Brasil quer deixar para Haiti”, disse Amorim.

O titular da Defesa afirmou que o Brasil não pretende retirar, de maneira irresponsável, suas tropas do país. Mas reiterou seu entendimento de que a permanência dos militares brasileiros não deve se perpetuar indefinidamente, criando o que ele chamou de uma “zona de conforto” para todos os envolvidos. “Queremos, progressivamente, deixar para o Haiti a responsabilidade por sua segurança e pela manutenção da lei e da ordem”, afirmou.

De acordo com o ministro da Defesa, parte dos recursos financeiros que serão investidos na formação de engenheiros haitianos deverá sair da economia resultante da desmobilização dos efetivos militares no país. O Brasil iniciou a redução de seu contingente, que deverá, em breve, voltar a ser de cerca de 1.200 homens, tamanho similar ao registrado antes do terremoto de 2010.

Amorim também citou como exemplos de ajuda de caráter estruturante, a possibilidade de o Brasil prestar apoio na formação da polícia nacional haitiana, e também tornar viável o financiamento para construção da hidrelétrica de Artibonite, no norte do país.

O ministro brasileiro citou tratativas em curso entre a Defesa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o objetivo de obtenção dos recursos para a construção da usina. O Brasil já investiu US$ 40 milhões no projeto da hidrelétrica, que foi elaborado pelo Exército Brasileiro.

Segundo Amorim, há conversas envolvendo companhias brasileiras que teriam interesse no empreendimento. “Precisamos agora achar a empresa que irá financiar e construir”, disse Amorim, acrescentando que a usina poderá resolver um sério problema estrutural que inviabiliza o desenvolvimento do Haiti: a falta de energia elétrica.

O primeiro-ministro haitiano manifestou concordância com a proposta relativa à usina e aceitou a sugestão de Amorim de receber, em seu país, uma breve e futura missão com empresários brasileiros.

Lamothe enfatizou como uma de suas principais preocupações a área de segurança. Ele pediu apoio para treinar e equipar uma força de ação rápida - corpo de elite militar capaz de atuar em eventuais situações de falha da polícia regular. Segundo o representante haitiano, essa força seria constituída por 600 homens.

Amorim se comprometeu a ajudar Lamothe, explicando que, no Brasil, a competência relativa à formação policial e à segurança pública, cabe, no nível federal, ao Ministério da Justiça. Ambos combinaram que a embaixada do Haiti enviará ao governo brasileiro um pedido formal que será objeto de análise pelo órgão competente com o intuito de tornar viável a iniciativa.
Antes de dirigir-se à reunião, Lamothe e comitiva foram recebidos com honras militares pelo ministro brasileiro. Estiveram presentes ao encontro o comandante da Força Aérea, brigadeiro Juniti Saito; os chefes dos Estados-Maiores da Armada, almirante Eduardo Monteiro Lopes, e do Exército, general Joaquim Silva e Luna; além do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e do secretário-geral da Defesa, Ari Matos Cardoso.

MS Notícias

FORÇAS ARMADAS INICIAM OPERAÇÃO ÁGATA 7


As Forças Armadas iniciaram na manhã de sábado, 18 de maio, a Operação Ágata 7 em toda extensão da fronteira brasileira. A Operação conta com 25 mil militares e é a maior mobilização realizada pelo governo brasileiro no combate aos ilícitos em toda a extensão da faixa de fronteira, entre Oiapoque (AP) e Chuí (RS).

A operação foi instruída por meio do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), criado por decreto da presidenta Dilma Rousseff em junho de 2011 e contará com a participação de 12 ministérios e 20 agências governamentais, além de aglutinar instituições dos 11 estados da região de fronteira. Será coordenada pelo Ministério da Defesa, por meio do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). A execução caberá à Marinha, ao Exército e à Força Aérea Brasileira (FAB).

Os principais objetivos da operação são o combate aos crimes transfronteiriços como narcotráfico, contrabando e descaminho, tráfico de armas e munições, crimes ambientais, contrabando de veículos, imigração e garimpo ilegais, intensificando a presença do Estado na faixa de fronteira.

Além do combate aos ilícitos, a Ágata 7 contemplará também Ações Cívico-Sociais (ACISO), que consistem em atividades como atendimento médico, odontológico e hospitalar aos locais onde concentram famílias carentes. De acordo com o balanço integrado, as seis edições anteriores da Ágata resultaram em 59.717 procedimentos, 18.304 atendimentos médicos e 29.482 odontológicos. Cerca de 9 mil pessoas foram vacinadas e distribuídos 195.241 medicamentos.
Devido à extensão da faixa de fronteira, as tropas serão controladas a partir de centros montados nos Comandos Militares da Amazônia (CMA), em Manaus (AM); do Oeste (CMO), em Campo Grande (MS); e do Sul (CMS), em Porto Alegre (RS), constituindo, respectivamente, as Áreas de Operações AMAZÔNIA, OESTE e SUL, as quais atuarão de forma conjunta.

A Marinha fará uso de navios patrulha fluvial, helicópteros UH-12, navios de assistência hospitalar e lanchas. Participam da operação destacamentos operacionais dos fuzileiros navais do Batalhão de Operações ribeirinhas, capitanias fluviais, agências fluviais e destacamentos fluviais. Realizará, entre outras missões, Patrulhas Navais, Inspeção Naval e Controle Fluvial nos rios Paraguai e Cuiabá e seus afluentes.

O Exército empregará 2 Brigadas de Infantaria, 1 Brigada de Cavalaria Mecanizada e 1 Batalhão de Infantaria oriundo de São Paulo, que utilizarão blindados e veículos leves para o transporte das tropas. Além disso, contarão com helicópteros HA-1 e HM-1 e vários meios de apoio logítico e de comunicações. Realizarão patrulhas e revistas de pessoas e veículos por meio de ações de bloqueios terrestres e fluviais montados em pontos estratégicos da fronteira brasileira.

A FAB empregará os aviões Super Tucano (A-29), caças F 5EM, os aviões radares, os Veículos Aéreos Não tripulados (VANT) e helicópteros, conduzindo principalmente Ações das Tarefas de Projeção Estratégica do Poder Aeroespacial, além de apoiar a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) nas ações de fiscalização de tripulantes e de aeronaves da Aviação Geral.

Em relação à Área de Operações OESTE, composta pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as ações serão realizadas entre as cidades de Cabixi (RO) e Mundo Novo (MS), em uma extensão de aproximadamente 2500 Km, com a participação de 2560 homens, número que poderá ser ampliado conforme as operações. Há previsão de realização de ACISO conjunta das três Forças em Porto Murtinho (MS), assim como outras, a critério de cada Força, dentro das necessidades levantadas em áreas carentes ou afetadas por calamidades recentes.
A Operação Ágata 7 será desenvolvida em ambiente interagências, contando com a intensa participação de várias agências governamentais, tais como: Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Receita Federal, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Agência Estadual de Defesa Sanitária, animal e vegetal, do Estado do Mato Grosso do Sul (IAGRO), Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Polícia Militar e Polícia Civil dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras (GGIF), Agência Brasileira de Inteligênia (ABIN), entre outras.

O Estado de São Paulo

Para Patriota, EUA não veem saída militar
Denise Chrispim Marin


Os EUA não vão apostar em uma solução militar para a guerra civil na Síria durante os debates da conferência internacional convocada para junho, informou ontem o chanceler Antônio Patriota. Ao final de um dia de visitas ao Departamento de Estado e à Casa Branca, Patriota afirmou ter ouvido do chefe da diplomacia americana, John Kerry, o compromisso de seu país com uma solução negociada, como defende o Brasil.

"Eu ouvi do secretário John Kerry que (os EUA) se coadunam com a nossa posição. Ele reafirmou a adesão americana ao comunicado do Grupo de Ação para a Síria", disse Patriota à imprensa brasileira, ao referir- se ao encontro internacional de 2012, em Genebra. "O que eu ouvi é que não há nenhum interesse de se tratar a questão síria pela via militar."

Em Washington, o envio de armas letais a grupos rebeldes e a possível adoção de uma zona de exclusão aérea estão em estudo. O Brasil é veementemente contrário a essas iniciativas militares para pôr fim aos dois anos de conflito.

No dia 9, quando Kerry obteve a confirmação da presença da Rússia na conferência de junho, o Itamaraty divulgou uma nota oficial para acentuar que "não há solução militar para o conflito sírio
" . O Ministério das Relações Exteriores enfatizou, no texto, a oposição do comunicado do encontro de Genebra a essa alternativa.

Ontem, Patriota referiu-se à próxima conferência sobre a Síria como "Genebra 2". "Esperamos que (a conferência) possa se traduzir em resultados concretos: o fim da violência e um processo de transição liderado pelos próprios sírios", disse.

O Estado de São Paulo

Oposição da Venezuela divulga áudio que expõe complô e divisão chavistas


Acusações. Em conversa atribuída a jornalista ligado a Chaves, e a chefe da espionagem cubana, são discutidos planos de golpe do ministro da Defesa e do presidente da Assembleia Nacional contra Maduro, além de casos de corrupção e cisões no bloco bolivariano

A oposição venezuelana divulgou ontem o áudio de uma conversa que atribuiu a um influente jornalista ligado ao chavismo e a um chefe da espionagem cubana. Os interlocutores discutem planos de um golpe de Estado contra o presidente Nicolás Maduro? além de casos de corrupção na cúpula do governo bolivariano e divisões profundas entre os herdeiros de Hugo Chávez.

O escândalo fez subir a temperatura política em Caracas, um mês após opositores acusarem Maduro de ter usurpado o poder por meio de uma fraude eleitoral. À tarde, a TV estatal venezuelana transmitiu imagens do presidente reunido com a cúpula das Forças Armadas - no que seria, segundo analistas e opositores, uma tentativa de demonstrar a lealdade dos generais bolivarianos.
A gravação de cerca de uma hora registra uma conversa atribuída a Mario Silva, apresentador da emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), e Aramis Palacios, que seria um dos principais nomes do G-2, o serviço secreto cubano.

A voz que seria do jornalista alerta sobre uma ruptura no interior do chavismo, em razão da insatisfação com Maduro, e avisa que há rumores de que o ministro da Defesa, almirante Diego Molero, prepara um plano para derrubar o presidente. Também afirma que o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello - um dos principais lideres do chavismo, ao lado de Ma- 1uro -, controla partes do aparato militar, opera um amplo esquema de corrupção e conspira contra o presidente.

"O que interessa (a Cabello) é dinheiro e poder. Ele não quer "ser", mas "controlar" o presidente"", teria afirmado o apresentador. "Maduro tem a obrigação de colocar Cabello contra a parede. Tomara que meu comandante (Chávez) tenha gravado um vídeo dizendo por que escolheu Maduro e quem são os conspiradores."

Segundo o deputado opositor Ismael García, que apresentou ontem o áudio a jornalistas, em Caracas, a gravação seria entregue diretamente ao presidente cubano, Raúl Castro, "que é quem dirige a política neste país (a Venezuela) " A conversa teria ocorrido dias após as eleições presidenciais de abril, cujo resultado até agora não foi reconhecido pelos opositores.

Inimigo externo. Silva respondeu, no Twitter, que a gravação é uma ""montagem" e um "bom trabalho do sionismo", culpando o "Mossad israelense e a CIA" pela suposta fabricação. Ainda no microblog, o apresentador avisou que contaria "a história toda" à noite, em seu programa La Hojilla (a lâmina).

Horas após o início da polêmica, Maduro apareceu ao lado da cúpula das Forças Armadas, mas não mencionou diretamente o escândalo. Falando à câmera, o presidente atacou "os inimigos da pátria, os que venderam a alma ao império (EUA), os que vivem da mentira, da intriga, do não fazer nada". Ele também fez referência à presença na reunião do ministro da Defesa, citado na gravação como o articulador do complô.

Segundo a conversa apresentada pela oposição, Maduro e sua mulher, Cilia Flores -que, além de primeira-dama, ocupa o cargo de procuradora-geral estavam evitando se encontrar com Molero. O ministro da Defesa teria procurado o casal para conversar sobre "a grave situação interna (das Forças Armadas) ". Minutos após o anúncio da morte de Chávez, em 5 de março, Molero afirmou que as Forças Armadas dariam "todo apoio" a Maduro. A gravação sugere também que Cilia teria influência excessiva sobre Maduro.

O Globo

Barbosa critica Congresso e reabre crise entre os poderes

Em palestra, presidente do STF também ataca partidos; reação é grande

André de Souza, Isabel Braga e Júnia Gama


O clima entre o Judiciário e o Legislativo voltou a ficar tenso ontem, depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou a atuação do Congresso Nacional e dos partidos políticos em palestra a estudantes de Direito de uma faculdade privada em Brasília. O ministro irritou os governistas ao dizer que o Congresso é dominado pelo Executivo e se notabiliza por sua ineficiência e incapacidade de deliberar. Mais tarde, por nota, o presidente do STF disse que não teve intenção de criticar o Legislativo e que falou como "acadêmico".

- O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo - disse Barbosa.

Na palestra, em que deveria falar sobre "Direito Constitucional e esportes", ele ignorou o tema e foi duro com os partidos:

- Nós temos partidos de mentirinha. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E nem seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder. Essa é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso se notabiliza pela sua ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar.

Barbosa até sugeriu mudança no sistema eleitoral e criticou também o Senado pela votação em tempo recorde da MP dos Portos.

- O Poder Legislativo, especialmente a Câmara dos Deputados, é composto em grande parte por representantes pelos quais não nos sentimos representados, por causa do sistema eleitoral. Passados dois anos da eleição, ninguém sabe mais em quem votou. Isso vem do sistema proporcional. A solução seria a adoção do voto distrital para a Câmara - disse. - Os excessos da Câmara podem ser controlados pelo Senado Federal. Mas, olha, nós tivemos na semana passada um contraexemplo disso. Uma medida provisória de extrema urgência (...) E o Senado só teve algumas horas para se debruçar sobre aquele o texto.

Do exterior, onde estava em missão oficial, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reagiu por meio da assessoria:

- Uma desrespeitosa declaração como essa não contribui para a harmonia constitucional que temos o dever supremo de observar.

Mais cedo, no exercício da presidência da Câmara, o deputado André Vargas (PT-PR) também reagiu:

- As declarações só reforçam o que acho dele: que não está preparado para ser ministro e muito menos presidente do STF. É mais uma fala com viés autoritário e um desrespeito a uma instituição em que todos os integrantes são eleitos pelo povo. Me parece que ele aposta no tensionamento com o Congresso.

No Senado, os líderes do DEM, José Agripino (RN), e do PSDB, Aloysio Nunes (SP), defenderam os partidos de oposição.

- A tutela do Executivo sobre sua base é uma coisa vergonhosa. Pode ser chato (a declaração de Barbosa), mas é verdadeiro. O ministro está generalizando e cometendo uma injustiça com partidos como o meu, que seguem um conteúdo programático bem definido - disse Agripino.

- O meu partido é de verdade. Quem se submete ao Executivo é a situação, não a oposição. Não dá para generalizar - completou o tucano.

O Globo

CAPA
SINAL DE ALERTA

Juventude atrás das grades

Apreensões de menores infratores aumentaram 237,6% na cidade, de 2011 para 2013

Elenilce Bottari


Na manhã da última quinta-feira, denúncias levaram policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) a realizar uma operação na região da Central do Brasil, onde 10 adolescentes estariam praticando furtos e pequenos roubos. Eles foram detidos e levados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a cerca de 700 metros dali, para confirmar o que todos na ação e na delegacia já sabiam: todos tinham passagens por furtos ou roubos, mas, por não haver flagrantes ou qualquer mandado de apreensão contra o grupo, foram liberados. Até o fim do dia, no entanto, pelo menos outros 10 foram capturados cometendo infrações e levados para o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), que tem a responsabilidade de acolher e tratar o adolescente em conflito com a lei.

As estatísticas oficiais revelam um crescimento do número de apreensões de jovens nos primeiros três meses deste ano (1.730) em comparação com o total do mesmo período de 2011 (739). O aumento chega a 134,1% no estado e a 237,61% na capital, onde passou de 210 apreensões para 709. Em 2012, foram 342 menores apreendidos na capital e 1.021 no estado.

Em média, são 22 novas detenções por dia. No primeiro trimestre de 2012, só na capital foram 342 apreensões. Com isso, o Degase viu seus internos dobrarem de 500 para mil em dois anos, estourando em mais de 60% a previsão de aumento de sua massa carcerária. Análises do próprio Degase, do Instituto de Segurança Pública (ISP), da DPCA e do Ministério Público identificaram que, na capital, o crescimento de jovens envolvidos com crimes está ligado às alterações na estrutura do tráfico de drogas, após as pacificações de favelas.

Estudo realizado pelo ISP mostra uma mudança no perfil do adolescente apreendido no estado. Se antes os crimes contra o patrimônio estavam entre as principais causas, hoje o tráfico é o crime mais comum.

- O que puxou esse aumento foi o tráfico. Vimos também uma certa mudança de função. Antes, os adolescentes trabalhavam mais como fogueteiros ou como radiocomunicadores. Nas comunidades pacificadas, essas funções não existem mais. Eles estão trabalhando na venda direta de drogas. Aqui no Centro, a Providência ainda tem uma outra característica. Eles (jovens) desceram a favela e ocuparam casarões e outras áreas abandonadas do Centro para vender drogas. Assim, acabam mais expostos - explicou a titular da DPCA, Bárbara Lomba.

Segundo a delegada, também aumentaram as apreensões de adolescentes em áreas pacificadas.

- Se compararmos dois anos fechados, 2011 e 2012, o número de apreensões em áreas pacificadas triplicou na capital - contou Lomba, citando como exemplos as comunidades da Mangueira e da Cidade de Deus.

Tráfico superou roubo
De acordo com o pesquisador Renato Dirk, organizador do Dossiê Criança & Adolescente 2012, do ISP, hoje o tráfico responde por 40% de todas as apreensões de jovens no estado, seguido pelo roubo, com 18,6% dos casos, e do furto, com 12%.

- Na década de 80, a maioria dos apreendidos tinha mais histórico de roubo. Hoje é o tráfico. Como no Rio muitos homicídios estão relacionados ao tráfico de drogas, o combate a este crime passa também pelo combate sistemático ao tráfico, aumentando assim as apreensões de jovens envolvidos - explicou Renato Dirk.

No interior, o problema se repete. Em janeiro, fevereiro e março deste ano, foram apreendidos 376 adolescentes, quase o dobro do número de apreensões nos três primeiros meses de 2011 (200).

Sistema está no limite
Com um crescimento fora do previsto, nem mesmo a inauguração de uma unidade do Degase, em Campos, na última quarta-feira, conseguiu mudar a situação de quase colapso do sistema:

- Quando o plano de descentralização foi iniciado há dois anos, ele foi projetado para atender 40% a mais do que a demanda daquele momento. Só que houve um crescimento inesperado de 100%. Ou seja, mesmo com a inauguração da unidade de Campos, que trouxe mais 80 vagas, que vão atender a 25 municípios da região, ainda estamos trabalhando no limite. São cerca de mil adolescentes, entre provisórios e internos, para uma capacidade de 911 vagas - explicou o subdiretor geral do Degase, Roberto Bassan.

O aumento expressivo foi apontado também pelo próprio Degase entre as causas para a evasão de nove adolescentes, em duas fugas ocorridas este mês no Instituto João Luiz Alves, na Ilha. Para reduzir as situações de risco, além das rotinas de procedimentos de segurança dentro das unidades, Bassan informou que foi ampliado o número de vagas de trabalho.

- A estrutura irá ficar melhor, porque vamos inaugurar em julho a unidade de Volta Redonda. Também vamos chamar mais 376 profissionais aprovados no último concurso - explicou Bassan.

Levantamento feito pelo GLOBO em abril passado, com base em dados oficiais obtidos com os governos de oito estados, revelou que o crescimento no número de menores apreendidos no país foi mais de duas vezes superior ao de prisões de adultos. Em 2012, houve um aumento, em relação a 2011, de 14,3% no número de apreensões de crianças e adolescentes por crimes como vandalismo, desacato, tráfico, lesão corporal, furto, roubo e homicídio. No mesmo período, o crescimento do número de jovens e adultos detidos por crimes em geral foi bem menor: 5,8%.

O Globo

Transpetro não retoma encomendas

Promessa era de mais 12 navios para o EAS, o que acabou não acontecendo

Letícia Lins



Ao mar. Lançamento do petroleiro Zumbi dos Palmares teve a presença de Dilma Rousseff


Com atraso de apenas 23 dias - a entrega anterior ocorreu um ano depois do prazo -, o Estaleiro Atlântico Sul deu início a operações do navio Zumbi dos Palmares, o segundo petroleiro entregue à Transpetro, após uma série de dificuldades técnicas e mudanças de comando e controle acionário do estaleiro.

Em meio a balões coloridos e chuva de papel prateado e com direito à presença da presidente Dilma Rousseff, ele zarpou do cais de acabamento do EAS, no complexo industrial portuário de Suape (Pernambuco), com destino à Bacia de Campos, de onde levará um carregamento de petróleo para São Sebastião, em São Paulo. A expectativa do empresariado e dos operários do EAS, no entanto, terminou não se concretizando: alardeada por toda semana, a retomada dos contratos das encomendas de 12 navios ao EAS pela Transpetro acabou não acontecendo.

O navio lançado ao mar é um Suezmax, com capacidade para transportar 1 milhão de barris, 45% da produção diária do combustível no país. Além dos dois petroleiros, o EAS já havia entregue à Petrobras uma plataforma de produção semissubmersível P-55. Ao todo, foram três encomendas já concluídas. No momento, o estaleiro produz mais quatro embarcações: são três navios do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro) e a primeira plataforma de perfuração que será construída no Brasil.

A presidente Dilma fez um breve histórico da retomada da indústria naval do país e lembrou que, quando ministra, recebeu do então presidente Lula a incumbência de criar condições para o ressurgimento da atividade no país. Salientou que o Brasil, que já foi uma potência no setor, tinha em 2003 apenas dois mil operários empregados na indústria naval e que, hoje, eles somam 54 mil, no que definiu como "uma história de conquistas".

- No primeiro navio do Atlântico Sul, tivemos que fazer um retrabalho (correção) de 40%, que foi reduzido em 12% no Zumbi dos Palmares e que passará a 3% no Dragão do Mar - disse a presidente, referindo-se a um outro petroleiro em construção no estaleiro.

Dos 49 navios encomendados pela Transpetro a estaleiros - no valor de R$ 10,8 bilhões - e que devem ser entregues até 2016, 15 não têm data de conclusão.

O Globo

ATAQUES EM SÉRIE NO IRAQUE

Guerra civil à espreita

Explosões em 6 cidades matam 95 e aprofundam divisões, levando ao temor de uma outra Síria



Destruição. Moradores do bairro xiita de Kamaliyah, em Bagdá, observam os estragos causados por um carro-bomba: rotina de medo na capital dez anos após a invasão


Pelo menos 95 pessoas morreram e mais de 240 ficaram feridas ontem numa sucessão de atentados a bomba que atingiram seis cidades do Iraque. A coordenação e a amplitude dos ataques reforçaram o mergulho do país numa escalada de violência sectária que já tornara abril - com mais de 700 mortes - o mês com o maior número de vítimas em atentados nos últimos cinco anos. E trouxeram de volta o temor de uma guerra civil aberta, como a que enfrenta a vizinha Síria.

Somente em Bagdá, oito bairros - de população predominantemente xiita - foram alvo de carros-bomba numa capital que mal havia se recuperado do impacto dos atentados que, na sexta-feira, mataram 66 pessoas em bairros sunitas. As estatísticas mostram, ainda, que os iraquianos enfrentam os ataques mais mortíferos desde a retirada das tropas americanas, em dezembro de 2011.

E também a maior crise política. Desde o ano passado, milhares de iraquianos sunitas (minoria, concentrada nas províncias do Norte do país) têm ido às ruas contra o governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, formado por uma base xiita (predominante e mais concentrada no Sul do Iraque). O premier é acusado de autoritarismo. Esses protestos têm degenerado em violência sectária desde abril, quando as forças de segurança atacaram uma manifestação no Norte iraquiano. A violência impediu, ainda, a realização de eleições locais em províncias de maioria sunita, como Anbar - só 12 das 18 províncias puderam ir às urnas em 20 de abril. Dezenas de ministros já renunciaram em protesto, enfraquecendo o governo central: hoje apenas 11 das 35 pastas do Gabinete estão ocupadas, e Maliki acumula cargos importantes, como Defesa e Interior. O caos político tem, ainda, reforçado a defesa da divisão do Iraque em federações - como pregaram ontem líderes tribais sunitas.

"É o confronto armado ou a declaração de uma região autônoma", argumentaram clérigos ouvidos pelo jornal "al-Hayat".

A autonomia é prevista na Constituição iraquiana. As províncias podem pedi-la, mas de comum acordo com o governo central, em Bagdá - um debate sempre aventado, mas que esbarra, fundamentalmente, nas divisões de lucros gerados por uma indústria petrolífera que ainda tenta se reerguer dez anos depois do início da guerra.

Isolado, Maliki prometeu mudanças na estratégia de segurança e culpou integrantes do Parlamento pela instabilidade. Segundo o premier, muitos estão incitando as diferenças entre xiitas e sunitas em favor dos próprios interesses.

- Os discursos sectários em locais de protestos estão dando aos insurgentes uma razão para matar - disse ele.

SOMBRAS DE SÍRIA E TURQUIA COMPLICAM CENÁRIO
Ao vácuo de poder e à desconfiança crescente entre os dois principais vértices do Islã soma-se o medo. Embora nenhum grupo tenha reivindicado os atentados de ontem, o Iraque tem diversas facções extremistas sunitas agindo em seu território, como o Estado Islâmico do Iraque, afiliado à rede al-Qaeda - e de onde foram exportados os primeiros combatentes que formaram a Jabhat al-Nusra, a frente islâmica que combate na vizinha Síria o regime de Bashar al-Assad. Há, ainda, a presença no território iraquiano de combatentes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que, em meio a uma trégua com a Turquia, deixaram aquele país rumo ao Curdistão iraquiano.

- Sempre que temos esperança de começar a reconstruir nossas vidas, quando começamos a cicatrizar nossas feridas, uma explosão vem e perdemos tudo de novo - lamentou Haider al-Musawi, de 33 anos, dono de uma loja que assistiu a uma das explosões em Bagdá.

A capital foi a mais afetada pela violência de ontem. Mercados e bairros xiitas foram o alvo de carros-bombas potentes que mataram ao menos 48 pessoas. No mais letal, o artefato explodiu junto ao mercado do bairro de Shaab, matando 14 pedestres.

- Até quando temos que viver assim? Estamos de saco cheio deles e não podemos mais tolerar isso - desabafou Malik Ibrahim, de 23 anos.

Na província de Anbar - a maior e menos populosa do país, berço dos protestos sunitas - a violência ameaça impedir a ação do Estado.

- Nós não vamos mais aceitar o Exército em Anbar; isto está fora de questão - advertiu um proeminente líder tribal local, Muhammed Khamis Abu Risha.

O Globo

Hezbollah perde 30 soldados em batalha por reduto rebelde sírio

Apoio do grupo libanês pode tirar dos opositores o domínio da cidade de Homs


A batalha na cidade síria de Qusair, perto da fronteira com o Líbano, deixou dezenas de membros do Hezbollah mortos em conflito com os rebeldes e aumentou as preocupações de que a guerra civil da Síria se polarize mais entre xiitas (pró-governo) e sunitas (pró-rebeldes), desestabilizando ainda mais a região. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, um grupo pró-oposição radicado em Londres, cerca de 30 combatentes do grupo xiita libanês e 20 soldados e milicianos sírios leais ao presidente Bashar al-Assad morreram, além de quatro civis.

Apesar de os rebeldes não terem divulgado suas baixas, o número alto de mortos num único confronto indicou uma disputa acirrada pela cidade. Qusair serve de rota de abastecimento dos rebeldes para a cidade de Homs, mais ao norte e uma das maiores do país sob domínio dos opositores. No domingo, o Exército de Assad, com ajuda do Hezbollah, tinha tomado cerca de 60% da cidade, deixando cerca de 100 mortos nos confrontos.

As tropas do governo continuaram a retomada da região, ocupando vários vilarejos ao redor de Qusair, além de atacarem e isolarem os rebeldes na cidade de Homs, a terceira maior do país e crucial para reforçar o domínio governista sobre Damasco, a capital.

- Se Qusair cair, que Deus não permita, a oposição na cidade de Homs estará em grande perigo - disse um ativista que se identificou como Abu Jaafar al-Mugharbil.

obama preocupado com interferencia
A agência estatal de notícias Sana afirmou que o Exército restaurou a segurança e a estabilidade na maioria dos bairros de Qusair, e que estava perseguindo os terroristas remanescentes nos bairros do Norte. Mas ativistas da oposição retrucaram que os rebeldes de Quasir, a cerca de 10 quilômetros da fronteira libanesa, obrigaram a maior parte das forças do governo a recuar para suas posições originais, destruindo ao menos quatro tanques.

A ação do grupo libanês levou o presidente dos EUA, Barack Obama, a telefonar para o presidente do Líbano, Michel Suleiman - segundo a Casa Branca, para reforçar sua preocupação com o aumento da atividade do Hezbollah na Síria, lutando em nome do regime Assad, o que vai contra as políticas do Líbano. O Hezbollah faz parte do governo de coalizão do Líbano.

Revista Exame

Há risco de guerra da água na Ásia-Pacífico, alertam líderes

A crescente competição pela água pode provocar um conflito se os países não compartilharem este bem, cada vez mais escasso


A crescente competição pela água pode provocar um conflito se os países não compartilharem este bem, cada vez mais escasso, advertiram os líderes dos países da região Ásia-Pacífico.

Os esforços regionais para garantir o acesso à água, tanto no centro quanto no sudeste asiático, provocam tensões entre vizinhos que dependem dos rios para alimentar uma população em pleno crescimento
.

A urbanização vertiginosa, a mudança climática e a crescente demanda da agricultura aumentam a pressão sobre este bem cada dia mais escasso, enquanto a maioria das pessoas da região não têm acesso à água potável, apesar do forte crescimento econômico registrado nos últimos anos.

"Pode acontecer uma guerra pelos recursos", disse a primeira-ministra tailandesa Yingluck Shinawatra, na reunião da Água Ásia-Pacífico, celebrada na cidade tailandesa de Chiang Mai.

Uma empresa tailandesa está por trás da construção de uma polêmica represa no rio Mekong, em Lagos, um projeto criticado por dois países afetados, Vietnã e Camboja, que temem os efeitos sobre suas indústria agrícola e pesqueira.

Os delegados aprovaram a "Declaração de Chiang Mai", na qual defendem a construção de uma resistência regional para prevenir os desastres naturais, compartilhar os conhecimentos técnicos na gestão dos recursos e colocar a segurança hídrica como destaque na agenda.