ARMISTÍCIO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Há 87 anos, na cidade francesa de Rethondes, foi firmado no dia 11 de novembro de 1918 o armistício que marcou o fim da Primeira Guerra Mundial. Deflagrada em virtude de interesses antagônicos de algumas nações européias, se consolidou na história da humanidade como a primeiro grande conflito armado do século XX, envolvendo até países fora da Europa, inclusive o Brasil.
Ao visitar Saravejo, capital da Bósnia, região anexada ao Império Austro-Húngaro em 1908, o príncipe herdeiro Francisco Ferdinando terminou sofrendo um atentado que lhe roubou a vida, juntamente com sua esposa, em 28 de junho de 1914. O autor foi um estudante nacionalista ligado à organização de origem sérvia, rival dos austríacos na disputa pelo controle da região. A Sérvia foi responsabilizada pelo assassinato do príncipe, conseqüentemente, os austríacos ordenaram a mobilização de suas Forças Armadas.

Apesar dos esforços de outras potências, especialmente da Grã-Bretanha, em 28 de Julho a Áustria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte a Rússia, que se considerava protetora dos sérvios, iniciou a mobilização de suas forças. Em 31 de julho, a Alemanha proclamou estado de guerra e enviou um ultimato à Rússia.

Numa rápida sucessão de eventos, em agosto houve a declaração de guerra alemã à Rússia e à França, invadindo a Bélgica. A Inglaterra enviou um ultimato à Alemanha, em protesto contra a violação da neutralidade belga, e declarou guerra à Alemanha. Foi como se um imenso mecanismo político administrativo-militar fosse posto em movimento e ninguém mais poderia controlá-lo. A partir daí, como resultado das alianças militares que já existiam entre as diversas nações, entraram na guerra, ainda em 1914, a Áustria, Montenegro, Sérvia e Japão. Em 1915, a Itália e a Bulgária, em 1916, Portugal e Romênia, em 1917, os E.U.A., Cuba, Panamá, Grécia, Sião, Libéria, China e o Brasil.

Até meados de 1917, o Brasil ainda mantinha uma atitude de neutralidade. O governo, contudo, seria forçado a modificar sua posição devido à comoção nacional causada pelo afundamento de quatro navios mercantes nacionais por submarinos alemães. Conseqüentemente, em 26 de outubro de 1917, por meio do Decreto nº 3.361, foi reconhecido e proclamado o nosso estado de beligerância contra o Império Alemão.

Em cumprimento aos compromissos assumidos com a Conferência Interaliada, reunida em Paris de 20 de novembro a 3 de dezembro de 1917, o Governo brasileiro enviou uma missão médica composta de cirurgiões civis e militares, para atuar em hospitais de campanha do teatro de operações europeu, um contingente de oficiais aviadores, do Exército e da Marinha, para se integrar à Força Aérea aliada, e o emprego de parte da Esquadra, fundamentalmente, na guerra anti-submarina. Para cumprir as atribuições da Marinha, o Ministro, Almirante Alexandrino Faria de Alencar, determinou a organização de uma força-tarefa que permitisse a efetiva participação da Marinha brasileira na Primeira Guerra Mundial. Logo, pelo Aviso Ministerial nº 501, de 30 de janeiro de 1918, foi constituída a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), composta de unidades retiradas das divisões que formavam a Esquadra brasileira. Passaram a compor a DNOG os Cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, os Contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, o Tender Belmonte e o Rebocador Laurindo Pitta.

Esta Divisão foi incumbida de patrulhar a área compreendida pelo triângulo marítimo cujos vértices eram a cidade de Dacar, na costa africana, o Arquipélago de São Vicente, no Atlântico, e Gibraltar, na entrada do Mediterrâneo. Ficaria sob as ordens do Almirantado britânico, representado pelo Almirante Hischcot Grant. E para comandá-la, o ministro designou um dos oficiais de maior prestígio na época, o Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, nomeado em 30 de janeiro de 1918.

A guerra no mar, para o Brasil, teve início no dia 1º de agosto, quando da partida da DNOG do porto do Rio de Janeiro. Na noite do dia 25 de agosto, na travessia de Freetown para Dacar, a divisão sofreu um ataque torpédico feito por submarino alemão, mas sem causar vítimas ou danos nos navios. Posteriormente, já fundeada no porto de Dacar, a tripulação da divisão foi vítima da epidemia conhecida na época como a "gripe espanhola", que tirou a vida de mais de uma centena de nossos marinheiros, e imobilizou a Força por dois meses naquele porto.

De volta ao mar, ainda com as tripulações reduzidas e fisicamente debilitadas, retomou a sua missão de patrulhamento, demonstrando a têmpera do marinheiro brasileiro e a determinação do Almirante Max de Frontin no cumprimento do dever.
No dia 10 de novembro, os navios brasileiros fundearam em Gibraltar, e logo no dia seguinte foi assinado o armistício. Com o fim da guerra, a DNOG foi convidada para participar das festividades promovidas pelos países vitoriosos comemorando a conquista da paz. Somente no dia 9 de junho de 1919 a Divisão aportou no Rio de Janeiro, tendo sido dissolvida pelo Aviso nº 3.053, de 25 de junho do mesmo ano.

Além da efetiva participação combativa, a Marinha do Brasil também implementou um programa de instrução militar às tripulações dos navios mercantes em 1917. E tinha iniciado a ocupação militar da Ilha da Trindade em 1916, até aquele momento desabitada e de inegável importância estratégica.

A epopéia vivida pela DNOG e por todos aqueles que, direta ou indiretamente, prestaram relevantes serviços ao país, durante esse conturbado período de nossa história, merecem ser lembrados e homenageados como verdadeiros heróis, exortando as novas gerações a seguir o exemplo de abnegação e amor à Pátria

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL, Serviço de Documentação da Marinha. História Naval Brasileira. Volume Quinto, Tomo IB. Rio de Janeiro: Ral Fênix Indústria Gráfica, 1997.

LEITE, Jorge da Silva. Aspectos da Participação da Marinha de Guerra Brasileira na Primeira Guerra Mundial. In Revista Marítima Brasileira, 3º Tri/1987, pp 9-40.

MAIA, João do Prado Maia. DNOG. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1961.

MELLO, Leonel Itaussu Almeida, COSTA, Luís César Amad. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Scipione, 1999