HISTÓRICO 1500-1822 . [1823-1914] . 1915-1945 . 1946-1982 . 1983-2002 . 2003-2007 | |
|
O período que se seguiu à Independência é
caracterizado pela presença de missões francesas
incumbidas de realizar campanhas hidrográficas para dar
continuidade ao conhecimento de nosso litoral.
Três franceses se destacam na primeira metade do século XIX, em campanhas hidrográficas no litoral brasileiro: o Capitão-de-Mar-e-Guerra Albin Reine de Roussin e os Capitães-de-Corveta Louis Marius Barral e Tardy de Montravel(gravura). Na Gabarra Émulation, em 1831, Barral estende o levantamento, da Ilha de Santa Catarina ao Arroio Chuí. Duas cartas e três planos particulares eram publicados em 1833. | ![]() Contra-Almirante Tardy de Montravel |
Em 1842, missão francesa chefiada pelo
Capitão-de-Corveta Tardy de Montravel realiza
levantamento do trecho da costa desde o Maranhão ao
Cabo Orange, levantamento do Rio Amazonas até Óbidos
e trecho do Rio Tapajós, levantamento do Rio Pará e
levantamento da Baía de São Marcos. | |
![]() Capitão-de-Fragata Mouchez |
É digna de
menção especial a última
campanha hidrográfica
francesa realizada no Brasil,
chefiada pelo Capitão-de-
Fragata Amedée Ernest
Barthélémy Mouchez. No
período de 1856 a 1860,
Mouchez realiza o
levantamento do Rio
Paraguai, do Paraná até
Assunção, o levantamento do
porto de São Francisco do Sul
e o reconhecimento do
Arquipélago de Abrolhos, cujo
Capitão-de-Fragata Mouchez levantamento vai terminar, posteriormente. Inúmeras são as
cartas resultantes do paciente e meticuloso trabalho de
Mouchez. São publicadas, em 1863, as cartas da Bahia ao
Rio de Janeiro, da Bahia a Olivença, dos recifes de
Itacolomis a Olivença, de Benevente à Barra Seca, de
Benevente ao Cabo de São Tomé, da Ilha de Santa Maria a
Tramandaí, de Tramandaí à Ilha dos Lobos, além dos planos
dos portos de Vitória e Cabo Frio. É ressaltado, como
magistral obra de hidrografia, realizada por Mouchez, o
plano do Arquipélago de Abrolhos. Os trabalhos de
Mouchez, nas costas do Brasil, de norte a sul, estenderam-se
até 1868. |
Os trabalhos desse grande oficial da Marinha e hidrógrafo francês vieram coroar, de modo ainda mais expressivo, a enorme contribuição de seus antecessores, Roussin, Barral e Montravel. No comando sucessivo de três navios, Mouchez notabilizou-se por um labor incansável, que estimulou o desenvolvimento do serviço e a formação de profissionais de hidrografia. Percorrendo 900 milhas nos rios Paraná, Uruguai e Paraguai, até Assunção, com o Lê Bisson, realiza levantamentos, de 1857 a 1860. Em 1861, no D’Entrecasteaux, hidrografa abrolhos e a costa leste, desde a Bahia até o Rio de Janeiro, apoiado pelo Primeiro-Tenente Ignácio Joaquim da Fonseca, na Canhoneira Itajaí. Finalmente, o ilustre oficial consolida o sucesso de sua contribuição, no período de 1863 a 1868, cobrindo o restante do litoral brasileiro. Usava como base trabalhos anteriores, de seus compatriotas e de Vital de Oliveira. As inúmeras cartas náuticas que publicou e, particularmente, as de Cabo Frio, São Sebastião, Sepetiba e Ilha Grande, muito contribuíram para celebrizá-lo entre os hidrógrafos nacionais. O nome do Comandante, mais tarde Almirante Mouchez, ficou marcado como legenda de competência, dedicação e amor ao serviço, no começo de nossa Hidrografia. |
|
Deve ser feita alusão, ainda, a cartas
particulares editadas em 1867, como a da Baía de São
Marcos ao Morro de São Paulo, a carta de aterragem do
Maranhão e a do porto do Maranhão, a carta dos Recifes e
do Canal de São Roque e os planos de Aratu e do Porto de
Salvador.
No ano de 1868, é editada carta do Ceará à Bahia
e, em1869, a carta da Bahia de Todos os Santos.Cabe observar que as cartas de Mouchez,
referentes à região entre Cabo Frio e a Ilha de São Sebastião
e as de Sepetiba e Ilha Grande primam pela precisão e
riqueza de pormenores de interesse do navegante. |
|
| É, no entanto, Manoel Antonio Vital de Oliveira o oficial brasileiro que realiza trabalho hidrográfico de maior envergadura no século XIX. Os inestimáveis serviços de Vital de Oliveira, prestados à Hidrografia, iniciam-se no Iate “Paraibano”: planta de Pitambu e São Bento; levantamento das Ilhas Rocas e seus Baixios; cartas diversas da Província de Alagoas e do trecho de litoral que vai do Rio Capitão-de-Fragata Vital de Oliveira Mossoró à foz do São Francisco. No Vapor “Jaguarão”, leva a termo serviços hidrográficos diversos na área próxima ao Cabo de Santa Marta. No “Beberibe”, na região de Cabo Frio, faz pesquisas de perigos isolados. Em 1864, em decorrência da situação de beligerância do País, suspende as atividades hidrográficas e assume o comando do Vapor de Guerra “São Francisco”, realizando transporte de voluntários do Norte e do Nordeste do Brasil para o campo de luta. |
![]() Capitão-de-Fragata Vital de Oliveira |
|
Em 1866, traz, da França para o Brasil, o Monitor-Encouraçado “Nemesis” que é incorporado, logo após a chegada, como Couraçado “Silvado”, à 2ª Divisão de Esquadra de Operações de Guerra do Paraguai. E o hidrógrafo padrão, perfeitamente integrado à missão precípua da Esquadra, cai mortalmente ferido ao participar do bombardeio de Curupaiti e Lagoa Pires. Em 1869, postumamente, é publicado o
Roteiro de Vital de Oliveira por sua viúva, D. Adelaide
Calheiros da Graça Vital. Na apresentação desse Roteiro,
foram por ela escritas as comoventes palavras: “A morte
veio em fatal remate embaraçar ainda mais esta
publicação. O abalo natural que em mim produziu o mais
funesto acontecimento que podia sobrevir a minha
existência não me facultou de então para cá uma
oportunidade em que me dedicasse incontinenti ao
imperioso dever de concluir a referida publicação, o que
agora faço.”
|
![]() Carta da Ponta da Estância ao Rio São Francisco |
|
O ano de 1876 é auspicioso para a Hidrografia
Brasileira. Por decreto do Governo Imperial, no dia 2 de
fevereiro, é criada a Repartição Hidrográfica, que tem
como primeiro Diretor o Capitão-de-Fragata Antonio Luiz
von Hoonholtz – Barão de Teffé – sendo Ministro da
Marinha o Conselheiro Luiz Antonio Pereira Franco. Poucos dias antes (26 de janeiro), havia sido criada a Repartição de Faróis que, mais tarde, seria integrada à Repartição Hidrográfica.Em 1888, a 4 de abril, é criada a Repartição Central Meteorológica e, a 7 de novembro de 1891, são reunidas as três Repartições em uma única, a Repartição da Carta Marítima. O período que vai de 1876 a 1891 é marcado pela elaboração de esboço de plano de levantamento da costa brasileira idealizado pelo Barão de Teffé, pelo levantamento do porto de Santos (Barão de Teffé), pela publicação, no Rio de Janeiro, do Tratado de Geodésia, do Capitão-Tenente José Cândido Guillobel, pela determinação da posição de Cabo Frio, a cargo do Capitão- Tenente Francisco Calheiros da Graça, sendo empregado, pela primeira vez, em nossa Marinha, o telégrafo elétrico, na transmissão de sinais horários. |
Em 1896, a Repartição passa a chamar-se
Superintendência da Carta Marítima.
No final do século, em 1898, a 12 de abril, o
Capitão-Tenente Américo Brazílio Silvado elabora as
primeiras Instruções Meteorológicas da Diretoria de
Meteorologia da Superintendência da Carta Marítima, que
marcou as atividades de nosso primeiro serviço
meteorológico nacional, sistemático. Ainda nesse ano, são
elaboradas as primeiras cartas isobáricas de superfície. |
![]() Ilha Fiscal |
![]() Barão de Jaceguay |
A Superintendência da Carta Marítima, em
1906, é transferida da Rua Conselheiro Saraiva nº 5 para a
Rua Dom Manoel nº 5 e mantém-se, nesse local, até 1914,
quando é transferida para a Ilha Fiscal (foto acima), já com a
denominação de Superintendência de Navegação(mudança de nomenclatura ocorrida em 29 de maio de
1908).
Em 1907, sendo Diretor da Repartição o Almirante Arthur Jaceguay (Arthur Silveira da Motta, Barão de Jaceguay), é iniciada a publicação de coletânea de cartas da costa, conhecida como “Coleção Jaceguay”, com base na compilação de todas as informações até então existentes. Essa coleção tem sua publicação concluída em 1909.
|
HISTÓRICO 1500-1822 . [1823-1914] . 1915-1945 . 1946-1982 . 1983-2002 . 2003-2007 |
|