[MARÉS]  Previsões de Marés 
  
     MARÉS

   A superfície dos mares não permanece estacionária. Devido, principalmente, às atrações da Lua e do Sol, a massa líquida se movimenta no sentido vertical, dando origem às marés e, também, horizontalmente, provocando as correntes de maré.    

    Ademais, o aquecimento desigual dos diferentes pontos da Terra pelo Sol e os grandes sistemas de vento resultantes dão origem às correntes oceânicas.

   Quando o navio se encontra em locais profundos, o conhecimento preciso da altura da água em relação ao fundo do mar não tem maior significado. Entretanto, em águas rasas, é este conhecimento que permitirá definir em que ocasiões e quais as áreas, portos ou canais onde um navio pode navegar com segurança.

    As correntes de maré também deverão ser levadas em conta na navegação em águas restritas, quando não se pode permitir que o navio se afaste da derrota prevista. O conhecimento antecipado da direção e velocidade desta corrente facilitará o planejamento, não só da derrota, como também da atracação/desatracação e dos horários mais convenientes às manobras.

   Para o navegante o conhecimento da maré e das correntes de maré é importante porque lhe permitirá decidir sobre:

   a. possibilidade de passar em locais de pouco fundo;
   b. datas, horários e velocidades convenientes para navegar nestes locais;
   c. rumos na superfície para obter os rumos no fundo desejados;
   d. escolha do bordo de atracação, tipo de amarração e folgas adequadas das espias; e
   e. necessidade de parar motores e máquinas refrigeradas à água salgada, em determinados períodos, para evitar que as tomadas d’água, por ficarem no fundo do casco, aspirem lama ou areia.



   

Para decidir quanto aos aspectos da possibilidade de passar em certo local, datas e horários mais convenientes, é preciso que se observe que (figura ao lado):

   Em qualquer instante, a profundidade (C) é igual a sondagem apresentada na Carta Náutica (D) mais a altura da maré (E):

   C = D + E

   Nos ecobatímetros, é normalmente medida a distância vertical (B) entre a quilha do navio e o fundo do mar que, somada ao calado (A) dará a profundidade (C):

   C = B + A


   

   Para decidir quanto à velocidade, é preciso ter em mente que, na maioria dos navios e dentro dos seus atuais limites de velocidade, quando a velocidade aumenta a sua popa afunda e, conseqüentemente, para não tocar no fundo haverá necessidade de maior profundidade (maior lazeira de água abaixo da quilha).

   Não se pode, também, esquecer que o navio caturra e que a sua arfagem pode exigir aumentos na profundidade mínima que o navio necessitaria para passar, sem bater no fundo, em determinado local. Especial atenção deve ser dada a este fator de segurança quando se tratar de navios de boca estreita e compridos, que “enterram” bastante suas proas se sujeitos a ondas, principalmente com mar de través para vante.

   A escolha de rumos na superfície, bem como o bordo de atracação e tipo de amarração, está ligada às correntes de maré.

   A folga das espias é função principalmente da amplitude da maré, mas alguns outros aspectos estão também envolvidos, como: intensidade da corrente; direção e força dos ventos; situação de carga (navio leve ou carregado), onde se incluem os recebimentos ou transferências de água e óleo; existência e utilização de amarreta e tipo do cais (se flutuante ou fixo).
Os elementos necessários à tomada destas decisões são conseguidos em várias fontes.

   As principais são:

   a. Tábuas das Marés;
   b. Quadros de Informações sobre a Maré representados nas Cartas Náuticas;
   c. Cartas de correntes de maré;
   d. Informações sobre correntes de maré constantes de determinadas Cartas Náuticas;
   e. Roteiro; e
   f. Almanaque Náutico.


PREVISÕES DE MARÉS ON-LINE


 

    Profundidades representadas nas Cartas Náuticas

    As profundidades representadas nas cartas náuticas são sempre “reduzidas”. Isto significa dizer que as profundidades têm origem no plano de referência conhecido como nível de redução (NR) e não na superfície da água. Desta forma, as variações do nível das águas por influência das marés ou em decorrência dos períodos de cheias e vazantes dos rios são subtraídas.


Estação maregráfica e profundidades reduzidas


   Nas áreas próximas ao estuário do rio Amazonas, onde é predominante a influência das marés, são montadas estações maregráficas que visam a realizar observações contínuas do nível das águas por um período de 02 (dois) anos nas estações da rede principal e trinta e dois (32) dias nas estações da rede secundária.

  As observações são avaliadas e validadas, permitindo assim a inserção desses dados no sistema de maré, que calculará o nível médio (NM), a altitude da RN da estação, a semi-amplitude máxima da maré(Zo) e o nível de redução (NR). O NR é então materializado no terreno por meio de referências de nível (RN), após medições topográficas de nivelamento geométrico.

   São construídas fichas de descrição da estação maregráfica que descrevem as RN existentes e as cotas entre as RN e o NR, permitindo a reocupação dessas estações em futuros LH e a conexão de séries de marés observadas na estação em diferentes reocupações.

   É possível ainda, a produção de previsões das alturas das marés, acima do NR, para qualquer período do ano.

   Nas áreas sem influência das marés, onde predominam os períodos de cheias e vazantes dos rios, são empregadas as estações fluviométricas pertencentes à Agência Nacional de Águas (ANA). Nessas estações são realizadas observações diárias do nível das águas por períodos longos e contínuos. Diferentemente das estações maregráficas o NR é resultante de cálculo estatístico, que garante o nível das águas acima do NR em 90% das observações.Para o cálculo estatístico são utilizadas, em média, séries históricas de vinte (20) anos de observações.

   Assim como nas estações maregráficas o NR é materializado no terreno por meio de referências de nível (RN), após medições topográficas de nivelamento geométrico, sendo elaboradas fichas de descrição da estação fluviométrica que descrevem as RN existentes e as cotas entre as RN e o NR, permitindo a reocupação dessas estações em futuros LH.


Estação maregráfica da Ponta da Armação




Marégrafo na foz do rio Amazonas(PREAMAR)

Casa do Marégrafo e Régua


Marégrafo na foz do rio Amazonas(BAIXAMAR)


Características gerais da maré no Brasil

A costa brasileira caracteriza-se por um regime de maré predominantemente semidiurna, com ocorrência de maré semidiurna com desigualdades diurnas a partir da região sudeste em direção ao sul, enquanto a maré mista aparece apenas no extremo sul do país, com forte componente meteorológica. A amplitude da maré  varia de 0,5m (micro maré) no sul  a 7m (macro maré) no norte, com registro de ocorrência máxima e pontual de 11m na estação do Igarapé do Inferno(AM), predominando o regime de meso maré.


Amplitudes de maré na costa brasileira
(Fonte: Vellozo, T.G. e Alves, A.R. - Características gerais do fenômeno da maré no Brasil. Anais Hidrográficos da Diretoria de Hidrografia e Navegação , Tomo LXI, 2006.).

- A linha pontilhada azul representa os limites
de micro, meso, macro e hipermaré.
- A Linha encarnada contínua representa as faixas de
latitude onde ocorrem as principais mudanças.


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