Cronologia
300 AC
– Farol de Alexandria, cidade do Egito com um dos portos mais ricos do
mundo antigo, construído por Ptolomeu II na ilha de Pharos – daí o nome
farol que passou a denominar todas as construções similares – o mais
antigo de que se tem notícia, com cerca de 130 metros de altura,
sua luz podia ser vista a 22
milhas náuticas (cerca de 40km) de distância. Era
considerado uma das sete maravilhas do mundo até sua destruição por um
terremoto em 1300.
40 DC – O Imperador Calígula, durante a invasão da
Gália e da Bretanha, mandou construir, no continente um farol que se imagina
ser o atual Boulogne (em Calais), e na ilha, três outros, um dos quais, resta
em Dover.
50 DC – Farol de Ostia, com cerca de 30 metros de altura, o
mais famoso depois do de Alenxandria, cuja construção foi terminada pelo
Imperador Cláudio. Foi destruído por um maremoto.
400 – Até o declínio do Império Romano cerca de 30
faróis foram construídos entre o Mar Negro e Gibraltar, no sul da Europa e
norte da África.
1130 – Farol de Gênova, fogueira na ponta do
promontório de São Benigno. Considerado pelos italianos o primeiro de nossa
Era.
1157 – Farol de Meloria (próximo a Livorno) o
primeiro construído em Mar aberto.
1500 – Descobrimento do Brasil.
1520 – Farol de São Vicente, o primeiro acesso em
Portugal, no Mosteiro de São Francisco.
1550 – Farol de Cordouan, próximo a Bordeaux, na
França, o mais antigo farol em serviço no mundo.
O
Farol de Santo Antonio
1697 – A mais antiga referência
documental do Farol de Santo Antonio da Barra, na Bahia, o primeiro do
Brasil.
Os primórdios dessa atividade no Brasil,
portanto, podem ser datados do século XVII, quando é aceso, na Baía de Todos
os Santos, em Salvador (BA), o farol construído no recinto do Forte de Santo
Antônio da Barra: ... “compunha-se de um torreão quadrangular de altura
meã, encimado de uma sorte de quiosque lateralmente envidraçado, no qual
arderiam à noite um ou mais lampiões avantajados, alimentados a óleo de
baleia”...


Farol de Santo Antônio - BA
É,
de que se tem notícia, a primeira construção de sinalização náutica erigida
no continente americano. E o farol, então aceso, permanece ativo,
evidentemente com as modificações impostas ao longo do tempo e pelos avanços
tecnológicos ocorridos.
No transcurso dos séculos XVIII e parte do século XIX, a
sinalização náutica de nossa costa permanece sob a responsabilidade
primeiramente das Capitanias- Gerais e, após a Independência, das Capitanias
dos Portos das Províncias do Império.
1808
– Alvará de 23 de agosto de 1808. Os faróis do Brasil são autorizados
pela Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação e mantidos
pelos Presidentes das respectivas Províncias.
1822 – Independência do Brasil – São dessa época os
primeiros registros de inauguração de faróis no país.
1834 – Regulamento de 13 de janeiro de 1834 para os
Arsenais de Marinha do Império. Os faróis são subordinados aos Arsenais.
1845 – Decreto Legislativo nº 358 de 14 de agosto de 1845. Os
faróis passam a ser administrados e inspecionados pelas Capitanias dos
Portos.
1876 – Decreto nº 6108 de 26 de janeiro de 1876 cria a
Repartição de Faróis responsável pela administração e direção geral do
serviço de iluminação da costa, portos, rios e lagoas do Império.
Em 1891, a Repartição de
Faróis é integrada à Repartição da Carta Marítima, sucessora da Repartição
Hidrográfica, origem, por sua vez, da DHN. Essa fusão foi um passo de grande
acerto pois uniu, sob a égide de um mesmo organismo, duas atividades
complementares: a construção da carta náutica e a sinalização náutica, ambas
concorrendo para as mesmas finalidades: a segurança da navegação e da vida
humana no mar e nas águas interiores.
O
Século dos Faróis Guarnecidos
O
Século XIX é caracterizado pela precípua necessidade de os faróis serem
guarnecidos por dois ou três faroleiros, a quem cabia acendê-los ao entardecer,
dar-lhes cordas durante a noite (quando para exibir luz intermitente) e
apagá-los pela manhã.
Principalmente entre nós, esse período é também aquele em que atravessamos
uma rápida evolução tecnológica, um sensível crescimento numérico de sinais e
expressivas reorganizações administrativas.
As rústicas
atalaias de madeira e as primitivas construções de alvenaria foram sendo, a
partir da Independência, paulatinamente substituídas por robustas torres
(ainda hoje existentes) e esguios postes de ferro fundido provenientes da
Inglaterra. As fabulosas torres Mitchell, com residências suspensas,
construídas sobre sapatas roscadas em terrenos arenosos são importadas para
Salinas, Aracaju, Belmonte, Rio Real e São Tomé, dentre outros.
Evoluímos dos candelabros e lampiões suspensos, dos
aparelhos com refletores parabólicos de luz fixa, aos sistemas rotativos de
corda (tal qual a de um relógio cuco) e aos aparelhos lenticulares de cristal
importados da França, na ocasião, o único fabricante no mundo.
As velas de espermacete e os óleos combustíveis vegetais,
utilizados para inflamar as mechas das lamparinas de luz fixa cedem lugar ao
querosene misturado ao ar sob pressão para incandescer um véu ou camisa, tipo
Aladin.
Por ocasião de publicação da primeira relação de faróis e faroletes de nossa
costa, eleborada com dados fornecidos pela Diretoria de Faróis, em 1896,
tinhamos 48 faróis dos quais 8 em ilhas, 36 faroletes e 2 barcas-farol.
Muitos de nossos principais faróis, ainda hoje, conservam suas torres e
aparelhos lenticulares originais. Atualmente, apenas 30 de nossos faróis são
guarnecidos.
Em
1947, atendendo ao novo Regulamento da Diretoria Geral de Hidrografia e
Navegação, é criado o Departamento de Sinalização Náutica, instalado na Base
Almirante Moraes Rêgo, na Ilha de Mocanguê Grande. Em 9 de julho de 1965, é
criado o Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rêgo (CAMR), que
permanece instalado na Ilha de Mocanguê Grande, sendo extinta, em
conseqüência, a Base Almirante Moraes Rêgo.
Em 17 de dezembro de 1998, o CAMR é
extinto, sendo novamente reativado em 10 de outubro de 2000.
Evolução tecnológica:
- Em 1º de janeiro de 1932, é aceso, nos Penedos de São
Pedro e São Paulo, o primeiro farol aeromarítimo, sem guarnição, no Brasil;
- Em 19 de fevereiro de 1955, é inaugurado o sistema de
alinhamento luminoso para entrada de porto, em Paranaguá (PR), sendo este o
primeiro alinhamento instalado no País;
- Em7 de dezembro de 1961, é instalada a 1ª lanterna
elétrica empregada em bóia luminosa no Brasil, no balizamento da Baía de
Guanabara, substituindo as lanternas a gás acetileno;
- Em 19 de junho de 1967, a bóia de luz
“Laje dos Meros”, fabricada em aço, é substituída por bóia
fabricada em resina plástica (fiberglass) dando início ao emprego desse
material em nossa sinalização náutica;
-
Em 17 de novembro de 1986, é completada a harmonização para o Sistema de
Balizamento Marítimo Região “B” da Associação Internacional de
Sinalização Náutica (IALA), de todos os sinais náuticos do litoral do Brasil
sob responsabilidade da Marinha;
- Em 11 de dezembro de 1986, é concluída a conversão
para energia elétrica e lâmpada incandescente de todos os aparelhos de luz de
nossos faróis, que empregavam até então o querosene como fonte luminosa;
- Em 13 de maio de 1987, é reformulado todo balizamento
da Barra Norte do Rio Amazonas, com a instalação de uma barca farol
automática dotada de “radar beacon” (RACON);
- Em 02 de janeiro de 2001, é iniciada a implantação do
sistema foto-voltaico, com baterias seladas (chumbocálcio), nas bóias
luminosas do balizamento da Baía de Guanabara; e

Bóias laterais
- Em maio de 2002, as lâmpadas halógenas de 1000w do
Radiofarol São Tomé são substituídas por lâmpadas de vapor multimetálico de
150w, propiciando o aumento de intensidade luminosa e redução de 85% no
consumo de energia.
Veja também:
A
HISTÓRIA DO CAMR 
