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A criação das Capitanias dos Portos no Brasil
remonta aos idos de 1845, quando o Imperador D. Pedro II, através
do Decreto Imperial nº 358, de 14 de agosto daquele ano, autorizou
o governo a estabelecer uma Capitania dos Portos em cada província
marítima do Império.
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Antigo prédio da CPRS. Foto de 1937. |
A idéia da criação
das Capitanias dos Portos surgiu inspirada na atuação dos
Arsenais de Marinha e Administrações Navais, implantados
na província do Rio Grande durante a Revolução Farroupilha.
A boa atuação destas duas instituições na província
deflagrada levou o Governo Imperial a avaliar a possibilidade de manter,
permanentemente, em vários pontos do país, órgãos
fiscalizadores e regulamentadores dos portos e vias navegáveis.
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Mesmo após o tratado de paz, que punha fim a Revolução
Farroupilha, ainda haviam dissenções espalhadas por todo
território riograndense e para desmanchar, por completo, esses focos
revolucionários e reintegrar o território rebelde, definitivamente,
ao resto do país, o Conde de Caxias, conhecido como o Pacificador,
que assumira a Presidência da Província, sugeriu ao jovem
imperador D. Pedro II que empreendesse, com sua esposa, uma viagem de boa
vontade pela província riograndense. Sendo assim, locomoveu-se o
jovem casal de monarcas da Côrte para a província do Rio Grande,
três meses após o Decreto que autorizava a criação
das Capitanias. Veio na comitiva imperial o Ministro do Império,
Antonio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, que pode
conhecer de perto o bom trabalho realizado pelos extintos Arsenal e Administração
de Marinha e se certificar de que tais serviços melhor ainda seriam
desenvolvidos pelas Capitanias. Não havia, ainda, nenhuma capitania
instalada, por isso, a 10 de dezembro de 1845 dirigiu-se o Ministro ao
Conde de Caxias, pedindo apoio e providências para a implantação
da nova repartição na cidade de Rio Grande de São
Pedro, pela importância de seu porto e pelo incentivo que isto traria
ao comércio da Província. Foi então nomeado o Capitão-Tenente
da Armada Francisco José de Mello, que já dirigia o Arsenal,
para servir como Capitão do Porto, “tomando a si todas as
atribuições que um tal cargo exigia, de antemão enumeradas
pelo Ministro, e autorizado a propor e tomar outras tantas e quaisquer
medidas direcionadas ao fim visado, que entendesse necessárias”. |
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A regulamentação do decreto anterior foi efetivada pelo Decreto
nº 447, de 19 de maio de 1846, que criou diversas capitanias ao largo
da costa brasileira, entre elas a Capitania dos Portos da Província
de São Pedro do Rio Grande do Sul, na cidade do Rio Grande de São
Pedro, tendo como primeiro titular o oficial da armada supra citado, ex-diretor
do Arsenal e que já havia assumido tal responsabilidade, como já lhe
tinha determinado, anteriormente, o Ministro. A Capitania iniciou suas
atividades em 1847, instalada no Arsenal de Marinha, junto ao terreno da
Alfândega. Em 1859 a Capitania foi transferida para a Ponta da Macega,
onde atualmente está localizado o Comando do 5º Distrito Naval.
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Em decorrência da decisão de serem construídas instalações
próprias para o exercício de suas atividades, foi inaugurado,
em 13 de janeiro de 1936, o prédio da Capitania na atual rua Almirante
Cerqueira e Souza, hoje ocupado pelo SRD e outras repartições
navais. Finalmente, em 19 de fevereiro de 1975, a Capitania transferiu-se
para o local onde está atualmente instalada. No dia 19 de maio de
1996 a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul comemorou a passagem dos
seus 150 anos de existência. Apesar de sesquicentenária mantém-se
jovem pela intensa atividade exercida junto a comunidade marítima
riograndense, cadastrando e habilitando pessoal, efetuando vistorias das
embarcações, apurando as causas dos acidentes, exercendo
a importante atividade de Inspeção Naval, e procurando, sempre
mais, estar atualizada e pronta a responder aos desafios impostos pela
modernidade.
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Prédio atual da CPRS. Foto de 2004. |
Heráldica
Aprovado pela Portaria Nº 1177, de 19 de agosto de 1977 pelo Ministro de Estado da Marinha.
DESCRIÇÃO
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| Brasão da OM |
Num escudo boleado, encimado pela coroa naval e envolto por elipse feita de cabo de ouro
terminado em nó direito, em campo azul, âncora sobre caduceu de Mercúrio, ambos de ouro e
passados em aspa; em chefe fendido de vermelho e verde, uma coroa de marquês.
EXPLICAÇÃO
No campo azul, o caduceu de Mercúrio, filho de Júpiter, e Deus do Comércio,
simboliza as relações comerciais mantidas entre os povos desde a mais remota antiguidade;
a âncora, sobrepondo-se à insígnia daquela divindade mitológica, alude à vigilância e
proteção da Marinha ao tráfego marítimo comercial, expressão do desenvolvimento e expansão
daquelas atividades. No chefe fendido de vermelho e verde, a coroa de marquês, evocando o
Ínclito Almirante Tamandaré, alude ao Estado sulino e à cidade onde nasceu, Rio Grande,
sede da capitania e que lhe dá o nome, que também é memorado pelos esmaltes e metal do chefe,
constantes da bandeira criada em 1836, para a efêmera República Riograndense.
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