| A
necessidade de preparar jovens para a Marinha, antes mesmo do ingresso
na Escola Naval, data do século XIX. Buscava-se, então,
incutir o gosto pelo mar e pelas coisas marinheiras, além
de proporcionar uma sólida formação intelectual,
moral e militar-naval. Para tanto, até o Colégio Naval
dos nossos dias, muitos passos foram dados.
Assim é que, pelo Decreto nº 4679, de 17 de janeiro
de 1871, foi estabelecido no Arsenal de Marinha da Corte, no Rio
de Janeiro, um Externato, que consistia de um curso de um ano, para
o ensino das matérias preparatórias do curso da Escola
de Marinha. Em seguida, pela Lei nº 2670, de 20 de outubro,
foi autorizado à criação do Colégio
Naval, efetivada pelo Decreto nº 6440, de 28 de dezembro de
1876, assinado pela Princesa Isabel, então ocupando a Regência
do Trono.
Assim o novo Colégio previa três anos de curso preparatório,
em caráter de internato, suprimindo-se o Externato de Marinha.
Sua inauguração ocorreu em fevereiro de 1877, com
58 Alunos precedentes de 14 províncias, instalando-se em
prédio do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Os docentes,
escolhidos criteriosamente, eram oficiais que pertenciam ao Quadro
do Magistério Naval.
Entretanto, a designação Colégio Naval teve
breve existência. A elevada despesa que acarretava, o baixo
índice de procura, a rígida rotina diária,
que a muitos afugentava, conduziram a sua extinção.
Desse modo, em 26 de junho de 1886, pelo Decreto nº 9611, reuniu-se
em um só estabelecimento a Escola de Marinha e o Colégio
Naval, sob a denominação de Escola Naval, onde se
estabeleceram os seguintes cursos: o Curso Preparatório (três
anos), o Curso Superior (três anos) e o Curso de Náutica
(em duas séries, para civis).
Desaparecera o Colégio Naval, primeiro educandário
militar de nível médio no Brasil, mas não morrera
a idéia. No início do século XX, o General
Honório de Souza Lima, ilustre filho de Angra dos Reis, usando
seu prestígio junto ao Presidente Hermes da Fonseca, convenceu-o
a aceitar a doação de extenso terreno que a Câmara
de Vereadores de Angra dos Reis fazia à Marinha, destinada
à edificação de uma escola militar.
Assim em 1911, teve início a obra que resultou no atual Colégio
Naval, cujo, encarregado da empreitada foi o Capitão Rosalvo
Mariano da Silva, idealizador do projeto arquitetônico. O
local escolhido foi a Enseada da Tapera, logo denominada Enseada
Batista das Neves, em Angra dos Reis. Em 1914, terminada a construção,
tão imponente ficara o prédio que o então Ministro
da Marinha, Almirante Alexandrino de Alencar, aproveitou para aí
fixar a Escola Naval, onde funcionou até 1920. A partir desse
ano, tendo a Escola Naval voltado ao Rio de Janeiro, passou a funcionar
naquele local a Escola de Grumetes Almirante Batista das Neves,
onde permaneceu até 1949.
Finalmente, a 25 de fevereiro de 1949, foi criado o atual Colégio
Naval, instituição de ensino que tem como propósito
preparar jovens para constituir o Corpo de Aspirantes da Escola
Naval, onde é formada a oficialidade da Marinha do Brasil.
O Aluno ingressa mediante concurso público e, no período
que passa no Colégio, recebe os ensinamentos do Ensino de
Segundo Grau, acrescidos de instrução militar-naval
especializada, ministrados por seleto corpo de Professores e Oficiais.
Alia-se a este aprendizado acadêmico e militar a intensa prática
desportiva, que visa aprimorar a condição física
dos Alunos.
| Em
abril de 1951, as primeiras turmas iniciavam o ano escolar,
em caráter precário na Escola Naval. A transferência
do Corpo de Alunos para Angra dos Reis transcorreu em memorável
viagem, em 10 de agosto de 1951, a bordo de dois Contra Torpedeiros.
Em 15 de agosto, foram solenemente inauguradas as atividades
de ensino em Angra dos Reis, com 326 alunos integrando as
turmas do 1° e 2° anos.
|
|
O Estandarte do Colégio Naval foi aprovado pela portaria
nº 1118, de 11 de julho de 1984 pelo então Ministro
da Marinha Almirante-de-Esquadra Alfredo Karam. Ele consiste de
um campo retangular de seda prateada de 1.20m x 1.00m, debruado
com torçal de azul e prata, encimado por ponta de lança,
de prata, e guarnecido por duas fitas, de azul e prata, franjadas
de ouro, contendo a inscrição "Colégio
Naval", de ouro, numa delas, ambas pendentes de roseta azul
e prata. A prata do Estandarte evoca a Marinha em seu metal clássico
e o conjunto heráldico constante do mesmo, o distintivo do
Colégio Naval, a ele se reporta.
Esse é o nosso Colégio Naval que atingiu a maturidade
sem envelhecer, pois a cada ano que passa e em cada turma que se
forma, se renova pleno de entusiasmo por acolher imberbes jovens,
que em curto prazo se transformarão em Oficiais da Marinha
e serão o orgulho da Nação.
No passado e no presente, permanece ainda como objetivo o ideal
de Rio Branco:
"Dar aos jovens que se proponham à profissão
do mar, um estabelecimento onde recebam instrução,
educação moral e física apropriadas a seus
futuros destinos".
|