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           25/05
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           A Quinta Edição dos Jogos Mundiais Militares
           
 
A marinheira Simone Gomes de Lima treina no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes no Rio de Janeiro. [DIÁLOGO]
 

          

          Tânia Maria Pereira Ribeiro, conhecida como Tânia Maranhão, e Andréa dos Santos, conhecida como Maycon, estavam preocupadas. Ambas haviam jogado sua última partida na seleção brasileira de futebol feminino em 2008 e o dinheiro estava começando a ficar curto. Então um convite inesperado para se juntar à Marinha Brasileira surgiu.
          “Na vida militar você tem de respeitar muito os horários,” disse a zagueira e marinheira Tânia Maranhão. “Na seleção, você também cumpre horário, mas pode chegar cinco, 10 minutos atrasada. Aqui não. Você tem é de chegar ou 10 minutos adiantada. Hoje, já me acostumei e minha família tem um orgulho muito grande por eu ser militar.”
          A passagem de civis à vida militar para atletas de elite é uma prática antiga em vários países do Leste Europeu. Era especialmente comum durante a Guerra Fria, quando os atletas olímpicos não podiam jogar profissionalmente.
          No Brasil, essa transição é relativamente recente, e ganhou ímpeto após o Rio de Janeiro ter sido escolhido para sediar a quinta edição dos Jogos Mundiais Militares, também chamados “Jogos da Paz” pelos organizadores. Os jogos, que acontecerão de 6 a 24 de julho de 2011, serão sediados pela primeira vez por uma nação latino-americana. Os jogos anteriores foram realizados na Europa e Ásia.
          “Nós aprendemos muita coisa, como disciplina e o respeito à hierarquia”, disse a meia esquerda da seleção de futebol da Marinha Brasileira, Maycon, que também foi atraída para a competição pelas condições favoráveis de treinamento e pela boa infraestrutura oferecida pelos militares. Ela acrescenta, brincando, “A melhor parte é que o salário é depositado em nossa conta todos os meses, sem nenhum atraso também.”
          O Vice-Almirante Bernardo Gambôa, chefe da delegação brasileira nos jogos, acredita que esse investimento em atletas de elite vale a pena. Ele prevê que o nível da competição ganhará reconhecimento do público e está otimista em relação ao desempenho do Brasil. “Nosso objetivo é ficar entre os três primeiros no quadro de medalhas”, ele disse.

 

Investimento em infraestrutura e modernização


          As mudanças que o Brasil implementou para a quinta edição dos Jogos Mundiais Militares não se limitam a tornar atletas de elite em cabos e sargentos. O país investiu 1,2 bilhão de reais (cerca de US$ 800 milhões) nos jogos, em parte para a construção de alojamentos para os participantes de mais de 100 países.
          O novo complexo de 17 edifícios inclui 408 unidades espalhadas em três vilas construídas para as Forças Armadas. Vila Verde será oferecida ao Exército, Vila Branca será oferecida à Marinha, e Vila Azul será oferecida à Aeronáutica. Cada um dos edifícios tem seis andares, com quatro apartamentos de 110 metros quadrados por andar, além de áreas comuns para eventos e um centro poliesportivo.
          “Depois dos Jogos, todos os apartamentos das 3 vilas serão transformados em moradia funcional para os militares brasileiros e depois voltarão a ser ocupados por atletas em 2016, quando o Rio de Janeiro sediará a Olimpíada”, disse o Primeiro-Tenente Frederico Hopfinger Leite, o engenheiro civil responsável por supervisionar a construção da Vila Verde.
          O financiamento fornecido pelo governo federal também será utilizado para melhorar a segurança e o transporte para satisfazer as necessidades do influxo de delegações militares que participarão dos jogos.
          Para escoltar as caravanas de várias delegações, mais de 90 motos Harley-Davidson foram adquiridas para expandir as frotas do exército, marinha e aeronáutica que fornecerão segurança para o transporte VIP. O Ten. Cel. Alfredo de Andrade Bottino, comandante do Primeiro Batalhão de Guardas, observou que 20 das motocicletas foram designadas para o seu batalhão para ajudar a manter a lei e a ordem, incluindo o monitoramento de estradas e áreas onde os treinos e as competições oficiais serão realizados.
          O Gal. Jamil Megid Júnior, coordenador do Comitê de Planejamento para os jogos, explicou que a rede de comunicações operacionais também foi expandida e modernizada com a aquisição de novos equipamentos para a criação de redes móveis que serão usadas nos locais de competição.

 

Um legado para 2014 e 2016


          Além dos benefícios para os atletas nos jogos militares, o próximo evento modernizará as instalações e servirá como treinamento operacional para manter a segurança nas futuras competições internacionais no Rio de Janeiro.
          “Queremos — e vamos deixar — um legado para o futuro. Não apenas na parte estrutural e de obras e construções,” disse o Gal. Megid Júnior. “Este evento servirá como mais uma operação de integração dos órgãos de segurança pública, as Forças Armadas e a própria comunidade do Rio de Janeiro de forma a operar integradamente.” O Gal. Megid Júnior explicou que os jogos militares serão uma oportunidade para coordenação entre os sistemas de segurança de cada instituição em nível municipal, estadual e federal, e ajudarão as Forças Armadas a integrarem o seu protocolo de segurança.
          “Fizemos e continuamos fazendo exercícios integrados para estar em boas condições de operação em julho de 2011 e servir de ensaio para 2014 e 2016,” acrescentou.
          Além das instalações desportivas que foram construídas especialmente para os Jogos Pan-americanos de 2007, grandes centros militares estão sendo reformados, como o Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), a ser utilizado pelos atletas durante os próximos Jogos Mundiais Militares.
          O Contra-Almirante da Marinha Fernando César da Silva Mota, comandante do CEFAN e presidente da Comissão de Esportes da Marinha, disse que a administração dos 20 esportes será dividida entre o exército, administrando 10 esportes; a marinha, com seis; e a aeronáutica, com quatro. Ele acrescentou que as duas competições oficiais que acontecerão no CEFAN são o pentatlo naval e taekwondo.
          Haverá cerca de 7.000 atletas e 2.000 delegados de mais de 100 países nos jogos. O Brasil participará com 250 atletas e será representado em todos os desportos, incluindo tiro. Um dos membros do time militar brasileiro é o Tenente do Exército André Luiz Tertuliano dos Santos, um especialista em tiro com rifle. “Há algum tempo, diria que nossa equipe não teria chance de ganhar medalhas. Agora, com a aquisição do novo equipamento, estou mais otimista e acho que podemos ganhar alguma coisa,” observou.
          Outro fator fundamental que contribui para o sucesso do país nos Jogos Mundiais Militares é o nível de interação entre os ramos das Forças Armadas.
          “Os responsáveis pelas equipes trocam informações e experiências”, o Capitão de Corveta Marcos Vinícius Lúcio, chefe da Seção de Comunicação Social da Comissão de Esportes da Marinha, disse sobre a maneira pela qual os três ramos seguem a orientação da Comissão Brasileira de Esportes Militares. Ele acrescentou, “O objetivo comum é levar nosso país a uma grande participação nos quintos Jogos Mundiais Militares Rio-2011.”


O Tenente da Marinha André Luiz Tertuliano dos Santos é membro da equipe de tiro
com rifle das Forças Armadas do Brasil. [Marcos Ommati/DIÁLOGO]
 
Tânia Maranhão, no canto esquerdo, e Maycon, terceira a partir da esquerda na primeira fila,
são mostradas em 2008 durante um dos jogos da seleção brasileira feminina de futebol. [REUTERS]
 
Gal. Jamil Megid Júnior conversa com membros do Comitê de Planejamento
da quinta edição dos Jogos Mundiais Militares. [DIÁLOGO]
 
Maycon e Tânia Maranhão uniformizadas como marinheiras da Marinha Brasileira.
[Communição Social da Commisão de Desportos da Marinha do Brasil]
 
 
  Fonte: http://www.dialogo-americas.com/pt/articles/rmisa/features/sports_issues/2010/10/01/feature-04
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