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Orgulho da tropa: o Sargento que conseguiu unir duas grandes paixões

            Yasmim Alves
           (Colaborador
a)
 
 

        Amigo, líder, exemplo. Essas são algumas das qualidades atribuídas ao 1º Sargento Fuzileiro Naval Luís Carlos da Conceição. Honrarias que não poderiam ser expressas com estrelas douradas, mas são valiosas a ponto de fazer com que um homem diga que é grato pela vida que tem. Capitão da seleção masculina de futebol, Luís Carlos carrega na sua trajetória os mesmo bens que levava quando corria, ainda menino, pelas ruas de Salvador: uma bola de futebol e a sua fé.
        A diferença entre o jovem Luís para o senhor Luís Carlos está só na maturidade ganha com o tempo. O sargento conseguiu unir em sua vida duas paixões. Há 22 anos integrando o Corpo de Fuzileiros Navais, ele conseguiu que 21 desses pudessem ser compartilhados também com o sonho de ser jogador de futebol.
        “Desde que ele nasceu ele joga bola. Aos 10 anos, já participava de torneios do bairro. Ele sempre quis ser jogador ou servir na Marinha”, relata a orgulhosa Dona Noemi, mãe de Luis Carlos. Mas até então o que poderia ser visto como sonhos utópicos de um garoto, L. Carlos mostrou que era possível com determinação.         Desde 2005, joga pela seleção brasileira dos militares. O atual número 15 da amarelinha é o único representante dos fuzileiros entre os jogadores. Veterano da jovem equipe. L. Carlos alcançou o posto de capitão do time e por todos é admirado e respeitado.
        “Eu acho que Deus foi muito generoso comigo, porque era um sonho de criança jogar numa equipe. O fato de entrar aqui (seleção de futebol) representando nosso país é muito gratificante”, confessa o sargento-jogador.
        A gratidão por ter realizado os dois sonhos Luis demonstra unindo o que aprende como militar em campo e vice-versa. É o que relata o supervisor da seleção e Subtenente Keli: “Ele sempre está liderando a equipe, e a sua satisfação e disposição ele passa para todos os jogadores. Um tipo de profissional exemplo. Querido por todo mundo. É aquele tipo de homem que só faz somar”, declara o subtenente.
        Essa admiração também é compartilhada pelo seu grande amigo Primeiro- Sargento L. Almeida. Foi a farda e, como não podia deixar de ser, a bola que levou esses dois militares, conhecidos de quartel, a tornarem-se eternos companheiros. Xará de nome, Luis Carlos Almeida, divide com L.Carlos a profissão, a parceria e a longa amizade. “Conheço o Luís desde 1999, foi em campo que a gente começou a conversar mais”, revela o amigo.


   

        Sargento Almeida confessa que um terceiro elemento tornou a parceria de campo numa aliança de irmãos. “Foi ele que me apresentou Jesus. Falo que ele me deu meu maior presente. É meu pai de fé. Acabamos que fizemos teologia juntos. O futebol, a Marinha e a fé foi o que nos uniu”.
        L. Almeida conhece bem o amigo que tem, quando perguntado sobre como agiria o companheiro após a derrota da seleção nas semifinais para Argélia, foi enfático: “Ele é líder. É ele que vai amparar a turma.” Com o fim do jogo, a predição do colega se constatou. Logo estava L. Carlos apoiando os companheiros mais novos: apertos de mãos, batidas nas costas, parabenizando-os pelo esforço de toda uma trajetória.
        Para a mãe Noemi, afastada do sargento pelos quilômetros que separam Rio de Janeiro de Salvador, a lealdade do filho não é novidade. “Ele é um ótimo filho. Quando o pai dele foi embora, ele tinha apenas nove anos e acabou sendo meu braço direito (sic). Ainda hoje é meu ombro. É quase um pai para os irmãos”.
        Aos 40 anos, Luis Carlos da Conceição encerra este ano sua carreira como jogador. Mas se esse fato poderia ser visto com tristeza para alguns, não é o que acontece com o Sargento. “Encerro como capitão da equipe. Só tenho a agradecer a Deus. Do futebol levo um grande legado: conheci muitos países, tive qualidade de vida, mas, sem sombra de dúvida, o maior legado é a amizade, são as pessoas que conheci. A vida segue. Também adoro o que eu faço, ser Fuzileiro Naval, senão fosse seria frustrado”, admite o jogador e militar.
        Para a sempre fã, mãe Noemi, tanto faz a farda quanto à blusa da seleção. “Tenho tanto orgulho dele fardado ou de verde e amarelo. A emoção é sempre a mesma”, declara com lágrimas Noemi.
        Se é o fim da corrida do jogador L. Carlos só o tempo dirá, mas o Fuzileiro não tem dúvida que a cada marcha se ergue uma verdade que permeia sua vida. “Sempre levei comigo o espírito do corpo (dos fuzileiros) para todos os lugares, inclusive o campo de futebol. O nosso lema é Adsumus. Aqui estamos e é mostrar que é um por todos e todos por um. Sempre!”

 
 
 
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