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           19/01
           Jornal O Globo
               

           Jadel de primeira viagem

           Incorporado a Marinha, triplista aprende o valor do esforço coletivo com craques do futebol de  areia e            se rende a rotina de um quartel para retomar o caminho das vitórias no atletismo

 
            Por Ary Cunha
 
 
JADEL GREGÓRIO presta continência à bandeira nacional, marchando, durante a formatura da turma de atletas que competirão pela Marinha (foto de Alexandre Cassiano)
 
 

          Aquartelado durante um mês com 13 craques das praias, Jadel Gregório aprendeu que uma caixa de areia pode virar campo quando glórias e frustações são compartilhadas coletivamente. No salto triplo, é apenas o atleta contra seus próprios limites. No futebol de areia, o talento individual só desequilibra se o conjunto tiver força. Solitários ou não em suas trajetórias esportivas, com a farda impecavelmente branca da Marinha, são todos iguais no juramento à bandeira e no respeito aos princípios de disciplina e hierarquia.
          O gigante e consagrado Jadel, de 2,02m, ontem era só mais um marinheiro de primeira viagem na formatura da sexta turma de atletas navais que incorporaram às Forças Armadas para a disputa dos 5º Jogos Mundiais Militares, de 16 a 24 de julho, no Rio.
          Esporte exibição na areia
          Além de 13 jogadores da seleção brasileira de futebol de areia - que será esporte exibição, vislumbrando ingressar no programa oficial para 2015 - o triplista e outros quatro nomes do atletismo encerrarão o estagio de aprendizagem no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), em Olária.
          - No meu esporte sou eu sozinho. Aqui no quartel, tudo se faz junto, em equipe. Se você esquece a pasta de dente alguém te empresta. Essa esperiência de viver em coletividade o tempo todo foi muito gratificante para mim - disse Jadel, que foi às lágrimas ao fim da cerimônia. - Na fase adulta, é mais complicado você se adaptar a seguir ordens, cumprir hierarquia. Mas a farda, os hinos, as marchas, é tudo muito lindo. Quem não chorou aqui, vai chorar depois.
          As últimas temporadas não reservaram muitas conquistas para jadel, que no Troféu Brasil - 2007, tornou-se recordista brasileiro e sul-americano do salto triplo, com 17,90 m, superando por um centímetro a marca de João do Pulo, alcançada 32 anos antes.
          Depois de ver os Jogos Olímpicos de Pequim - 2008 e o Mundial de Berlim - 2009 passarem em branco, ele agora está literalmente pronto para guerra. No atletismo, o marinheiro Jadel faz parte da tropa de elite que não precisa marchar para entender a importância milimétrica de cada passo. Prestar continência, só para superiores militares.
           -Tenho a missão de ir bem tanto nos Jogos Militares quanto no Pan-Americano (em outubro, no México). Minha meta para este ano é bater os recordes que tenho e conquistar medalhas - disse Jadel.
           A procura de um clube, o saltador convertido ao islamismo em 2005 tem a seu dispor a moderna estrutura inaugurada ano passado no CEFAN, que receberá as provas de pentatlo naval e taekwondo dos Jogos Militares. Livres da temível escala de serviço da qual recrutas sem grandes habilidades esportivas jamais escapam, Jadel e os novos marinheiros do CEFAN já sabem que terão de justificar as regalias com medalhas douradas. No caso do triplista, convêm não morrer na praia. Jadel prometeu quebras de recorde a ninguém menos do que o Almirante Fernando Motta, Comandante do CEFAN, e ao Sargento Cunha, responsável pelo treinamento militar da turma.
          -Ele me disse que vai bater os recordes dele pela Marinha. Vou cobrar - brincou o Almirante, que preside a Comissão de Desporto da Marinha.
           -Se não ganhar ouro nos Jogos Militares, vai pagar dez flexões, para começar - completou o sargento.
           Atacante desengonçado
           A rotina do quartel no último mês não deixou de lado os treinamentos específicos de cada modalidade. E Jadel não escapou do batismo entre os craques da areia.
          -Ele é muito desengonçado. quis escalá-lo no gol, pelo tamanho. mais o Jadel cismou de jogar no ataque e foi terrível - brincou o goleiro e agora marinheiro Mão, da seleção brasileira de futebol de areia.
      


       
 
Fonte: Jornal O Globo
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