Aquartelado durante um mês com 13 craques das praias, Jadel Gregório aprendeu que uma caixa de areia pode virar campo quando glórias e frustações são compartilhadas coletivamente. No salto triplo, é apenas o atleta contra seus próprios limites. No futebol de areia, o talento individual só desequilibra se o conjunto tiver força. Solitários ou não em suas trajetórias esportivas, com a farda impecavelmente branca da Marinha, são todos iguais no juramento à bandeira e no respeito aos princípios de disciplina e hierarquia.
O gigante e consagrado Jadel, de 2,02m, ontem era só mais um marinheiro de primeira viagem na formatura da sexta turma de atletas navais que incorporaram às Forças Armadas para a disputa dos 5º Jogos Mundiais Militares, de 16 a 24 de julho, no Rio.
Esporte exibição na areia
Além de 13 jogadores da seleção brasileira de futebol de areia - que será esporte exibição, vislumbrando ingressar no programa oficial para 2015 - o triplista e outros quatro nomes do atletismo encerrarão o estagio de aprendizagem no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), em Olária.
- No meu esporte sou eu sozinho. Aqui no quartel, tudo se faz junto, em equipe. Se você esquece a pasta de dente alguém te empresta. Essa esperiência de viver em coletividade o tempo todo foi muito gratificante para mim - disse Jadel, que foi às lágrimas ao fim da cerimônia. - Na fase adulta, é mais complicado você se adaptar a seguir ordens, cumprir hierarquia. Mas a farda, os hinos, as marchas, é tudo muito lindo. Quem não chorou aqui, vai chorar depois.
As últimas temporadas não reservaram muitas conquistas para jadel, que no Troféu Brasil -
2007, tornou-se recordista brasileiro e sul-americano do salto triplo, com 17,90 m, superando por um centímetro a marca de João do Pulo, alcançada 32 anos antes.
Depois de ver os Jogos Olímpicos de Pequim - 2008 e o Mundial de Berlim - 2009 passarem em branco, ele agora está literalmente pronto para guerra. No atletismo, o marinheiro Jadel faz parte da tropa de elite que não precisa marchar para entender a importância milimétrica de cada passo. Prestar continência, só para superiores militares.
-Tenho a missão de ir bem tanto nos Jogos Militares quanto no Pan-Americano (em outubro, no México). Minha meta para este ano é bater os recordes que tenho e conquistar medalhas - disse Jadel.
A procura de um clube, o saltador convertido ao islamismo em 2005 tem a seu dispor a moderna estrutura inaugurada ano passado no CEFAN, que receberá as provas de pentatlo naval e taekwondo dos Jogos Militares. Livres da temível escala de serviço da qual recrutas sem grandes habilidades esportivas jamais escapam, Jadel e os novos marinheiros do CEFAN já sabem que terão de justificar as regalias com medalhas douradas. No caso do triplista, convêm não morrer na praia. Jadel prometeu quebras de recorde a ninguém menos do que o Almirante Fernando Motta, Comandante do CEFAN, e ao Sargento Cunha, responsável pelo treinamento militar da turma.
-Ele me disse que vai bater os recordes dele pela Marinha. Vou cobrar - brincou o Almirante, que preside a Comissão de Desporto da Marinha.
-Se não ganhar ouro nos Jogos Militares, vai pagar dez flexões, para começar - completou o sargento.
Atacante desengonçado
A rotina do quartel no último mês não deixou de lado os treinamentos específicos de cada modalidade. E Jadel não escapou do batismo entre os craques da areia.
-Ele é muito desengonçado. quis escalá-lo no gol, pelo tamanho. mais o Jadel cismou de jogar no ataque e foi terrível - brincou o goleiro e agora marinheiro Mão, da seleção brasileira de futebol de areia.
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