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            07 e 08/03
            Jornal O Fluminense
 
            Capa
                 A Ilha das Flores, em São Gonçalo, que abrigou a Hotelaria de Imigrantes nas atuais instalações do Comando da Tropa de Reforço de Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha (foto), terá um centro de memória a céu aberto destinado a contar a história dos mais de 300 mil estrangeiros que chegaram ao Brasil pelo Porto do Rio, entre 1877 e 1966.
 
              Ilha das Flores terá museu a céu aberto
                 No local, haverá um Centro de Memória da Imigração, que será aberto a visitação a partir de junho
             Henrique Moraes
         Quase um século (1877-1966) de história dos mais de 300 mil imigrantes que chegavam ao Brasil através do Porto do Rio de Janeiro será contado com a inauguração do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, em Neves, São Gonçalo. Com o lançamento da pedra fundamental na última sexta-feira, a Marinha do Brasil, em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), pretende lançar um verdadeiro museu a céu aberto até 25 de junho (Dia do Imigrante). Ao todo, serão disponibilizadas 10 edificações do complexo naval para visitação .
         O local onde funcionava a Hotelaria de Imigrantes do Brasil e que hoje funciona o Comando da Tropa de Reforço do Corpo dos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil terá sete totens (postos informativos) com painéis de textos e fotos contando um pouco da história dos imigrantes.
         De acordo com o professor da Uerj/SG, Henrique Mendonça, coordenador do grupo de pesquisa da História de São Gonçalo, passaram pela hotelaria milhares de alemães, árabes, espanhóis, italianos, judeus, poloneses, portugueses e russos.
         “Eles trouxeram para o Brasil parte de sua cultura e encontraram aqui a primeira habitação em solo brasileiro. Ao invés de ficarem semanas nos navios ancorados no Cais do Porto esperando o visto de entrada, iam para a hotelaria que servia como triagem”, explica o pesquisador.
         O professor da Uerj disse ainda que o Rio de Janeiro era um ponto de passagem.

           “Naquela época, o Rio não fixava mão-de-obra imigrante. Aqui era uma espécie de agência  de  emprego e um abrigo de quarentena para os que  chegavam com doenças contagiosas. Afinal,  tinha  aqui  um  hospital”, detalha o historiador.
         Na visão do capitão-de-corveta Luiggi Campany,  que também  está à   frente  do  projeto, o museu irá resgatar a história do movimento migratório do Brasil.
“Para isso será criado ainda um portal na  internet  sobre o Centro de  Memória,  além de possibilitar a  marcação  de visitas, as quais serão guiadas por estagiários da Uerj”, informa o oficial. Ele explicou  ainda que será construído um espaço temático e multimídia.
         “Temos mais de 15 horas de gravações em áudio e vídeo de imigrantes. Há também, em algumas paredes aqui
dos alojamentos, inscrições e gravuras feitas por eles que foram preservadas. Descendentes destes imigrantes terão oportunidade de resgatar um pouco da memória de seus parentes”, disse o oficial. É esperada média de visitação de duas mil pessoas por mês, entre alunos e turistas.
         A iniciativa é uma parceria entre a Marinha e a UERJ, cujas 10 edificações locais ficarão abertas ao público.
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