A tranquilidade do céu pantaneiro, cruzado uma vez ou outra por alguma aeronave, está ganhando um novo cenário esta semana. Quem tem o costume de elevar o olhar às alturas, percebeu que nos últimos dias, ao invés de máquinas ou aves, homens têm feito do céu um lugar comum. O uniforme camuflado praticamente passa despercebido nas alturas, mas no chão, ele deixa claro que não se trata de um esporte e, sim de uma ação militar. Os paraquedistas do Batalhão Toneleiro, que integra o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e com sede no Rio de Janeiro, estão em Corumbá desde o início desta semana para realizar treinamento que visa aprimoramento para possíveis ações de combate.
“Para um melhor aproveitamento, colabora que o militar faça saltos seguidos, por isso Corumbá é escolhida pelo fato de ter um baixo tráfego aéreo. A cidade nos permite que a aeronave fique em total disposição pra gente fazer as atividades sem ter que parar porque tem outra aeronave decolando”, afirmou o comandante Eduardo Rabelo que ainda associou as condições meteorológicas e o apoio das instalações do 6º Distrito Naval como fatores importantes.
São 80 militares que contam com o apoio da FAB (Força Aérea Brasileira) que disponibilizou a aeronave C-105 Casa, locada na Base Aérea de Campo Grande. A cada vôo são lançados 44 paraquedistas que devem no trajeto até o solo desenvolver a técnica de queda livre operacional. Em média, dura 1 minuto até que o equipamento seja acionado pelo militar, entretanto a distância entre o lançamento e o solo atinge cerca de 4 quilômetros de altitude. “Apesar dos constantes saltos, o profissional bom é aquele que nutre um nível de medo, mas controlado. Aquele que não tem esse sentimento ou não sabe dosá-lo significa risco para a operação”, explicou o comandante ao falar sobre a emoção de cada salto.
Além dos saltos diurnos, os militares treinam as ações noturnas. Isso, segundo o comandante, é o ponto primordial para os paraquedistas que em ações em terrenos inimigos aproveitam da falta de luminosidade deste período do dia para não serem percebidos. “À noite, o militar precisa apurar a acuidade visual, pois até um determinado ponto não se tem a visão do terreno onde se efetuará o pouso”. Diferente de quem pratica o paraquedismo por esporte, a ação militar exige muito mais por significar um salto com equipamentos específicos, como por exemplo, a mochila com produtos que garantem a sobrevivência do militar (água e alimentos) e armamento. Os paraquedistas militares continuam em treinamento no céu de Corumbá até este sábado, dia 15, quando devem concluir cerca de 1.200 saltos.
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