O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta quarta-feira (9/12), durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores, na Câmara dos Deputados, a permanência das tropas brasileiras no Haiti para a reconstrução do país. Na avaliação do ministro, enquanto o Haiti não tiver sua infra-estrutura reconstruída para prosseguir em seu desenvolvimento ele considera difícil a retirada do Brasil da Missão da ONU para Estabilização do Haiti (MINUSTAH).
“O Ministério da Defesa e o governo brasileiro sustentam que o Brasil tem que permanecer no Haiti. A estratégia de saída do Brasil do Haiti está ligada à estratégia de construção da base. Nós não podemos nos retirar do Haiti e fixarmos data da retirada. Estou forçando efetivamente os organismos internacionais no sentido de conseguirmos fazer os investimentos necessários. Ou seja, a pretensão nossa é nos retirarmos do Haiti no momento que tivermos condições de desenvolvimento do país”, disse Jobim.
Na audiência, o ministro Jobim apresentou números sobre a tropa brasileira. O efetivo é formado atualmente por 1.266 homens, sendo 1.016 do Batalhão Força de Paz Haiti (BRABATT/infantaria) e 250 da Companhia de Engenharia (BRAENGOY). Marinha, Exército e a Companhia de Engenharia utilizam 223 viaturas no trabalho no Haiti.
O ministro mostrou também os investimentos feitos pelo Brasil, com recursos orçamentários, na participação brasileira na MINUSTAH. De 2004 a 2009, o Brasil aplicou R$ 703,5 milhões de recursos orçamentários na MINUSTAH. Desse total, R$ 288,8 milhões foram ressarcidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“O total hoje que o Tesouro brasileiro leva ao Haiti, sem ressarcimento e sem reembolso da ONU, são R$ 414 milhões. Isso significa de que o Brasil está aportando recursos do orçamento brasileiro para as Operações de Paz da MINUSTAH. O reembolso feito pela ONU é aquém do custo operacional de todo o conjunto dos dois contingentes brasileiros”. Na sua explanação, o ministro defendeu também a participação do Exército Brasileiro e da Companhia de Engenharia no projeto de construção de uma usina hidrelétrica em Porto Príncipe, capital do Haiti, denominada Usina Hidrelétrica de Artibonite. A obra, na avaliação de Jobim, é fundamental para fornecer energia elétrica especialmente à população mais pobre da capital haitiana. “A primeira coisa é a necessidade de fornecimento de energia elétrica para Porto Príncipe, que não tem energia elétrica. A energia é provida por geradores e quem tem gerador é porque tem dinheiro”, explicou. Segundo o ministro, o Exército Brasileiro e a Companhia de Engenharia têm expertise para executar esse tipo de obra. O Exército está elaborando o projeto da hidrelétrica, orçado em US$ 2,9 milhões, e a obra está orçada em US$ 150 milhões. De acordo com o ministro, a usina terá capacidade de gerar 32 megawatts. “É uma coisa pequena ( a capacidade de geração da usina) e nós podemos ajudar”, disse.  Jobim afirmou estar negociando com a ONU e com o governo dos Estados Unidos um financiamento para a construção da hidrelétrica. Segundo o ministro, o ex-presidente americano Bill Clinton estaria em contato com investidores e trabalhando para arrecadar recursos para a obra. Jobim disse que, com a construção da hidrelétrica, seria possível atrair empresas têxteis para o Haiti e, eventualmente, o país conseguiria vender produtos sem taxação para os Estados Unidos.
Texto: Brenda Joyce
Edição: Cristiana Nepomuceno
Fonte:
https://www.defesa.gov.br/mostra_materia.php?ID_MATERIA=33626
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