O subchefe de Operações do Comando de Operações Navais da Marinha, contra-almirante José Aloysio de Melo Pinto, disse hoje que a corporação irá dobrar, nos próximos meses, o número de fuzileiros que atuam no Haiti, passando dos atuais 209 para 410. Todos ajudarão no processo de reconstrução do país, que teve a capital, Porto Príncipe, devastada por um forte terremoto, no último dia 12. Ao menos 170 mil pessoas morreram na tragédia, segundo último balanço do governo haitiano. "Este processo [de aumento do número de fuzileiros] será gradual. Haverá uma tropa de 90 homens que irá no início de fevereiro e os demais irão posteriormente", disse o militar, hoje, na partida do navio Almirante Sabóia do Rio. A embarcação leva cerca de 700 toneladas em suprimentos e recursos para o povo haitiano. São 106 toneladas de medicamentos, 100 toneladas de comida e água, três toneladas de roupas, 600 colchonetes e 60 tendas para os haitianos. Também estão sendo levados 37 veículos diversos, desde jipes até caminhões de transporte de pessoas, além de água e combustível --em falta no país. O navio também dispõe de equipamentos de dessalinização, podendo gerar 45 mil litros de água potável por dia, a partir da água do mar, quantidade suficiente para abastecer toda a tripulação e ainda para ser distribuída em terra. Entre a tripulação, composta por 37 oficiais e 268 praças, está uma equipe de saúde, com dois médicos, um dentista e seis enfermeiros. O navio, ainda conforme a Marinha, chegará ao Haiti no próximo dia 17, onde ficará por 30 dias, em apoio às operações. Segundo a Marinha, ainda neste mês, outro navio, o Mattoso Maia, partirá para o Haiti, com capacidade para levar até 1,5 mil toneladas de carga. Em comunicado, a FAB (Força Aérea Brasileira) informou hoje que já levou ao Haiti, em mais de 50 voos, 534,63 toneladas de carga humanitária e 1.363 passageiros. Montado na capital, o hospital de campanha da Aeronáutica já atendeu 2.814 pessoas. Há cerca de uma semana, o Congresso aprovou ontem pedido do governo brasileiro para dobrar o efetivo militar disponível para servir no Haiti de 1.300 para 2.600 soldados.
Tragédia O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da Minustah, missão de paz da ONU, liderada militarmente pelo Brasil. Ainda não há um dado preciso do total de mortos. O balanço das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira indica um total de 112.250 mortos e outros 194 mil feridos. Já o governo haitiano confirmou neste domingo que o número de mortos no país já atingiu 150 mil somente na região metropolitana de Porto Príncipe.
Entre os brasileiros, 21 morreram, sendo 18 militares e três civis --a brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e uma brasileira com dupla-cidadania europeia que não teve a identidade divulgada a pedido da família.
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