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A primeira referência documental sobre a ilha, onde os fuzileiros navais desde 1809 estão estabelecidos, é uma Carta de Sesmaria, na qual se concede os direitos de sua posse ao seu primeiro proprietário o Sr. Pedro Rodrigues. Esse documento é datado de seis de setembro de 1565.
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O Mapa da Baía do Rio de Janeiro, retirado do Roteiro-Atlas (1574) do cartógrafo português Luiz Teixeira, é o primeiro registro Cartográfico que assinala todos os pontos conhecidos na baía. Nele aparece, pela primeira vez, a disposição de alguns pontos de defesa, tais como a ILHA DE VILLEGAGNON E O FORTE DA LAGE. Aqui já se faz uma primeira referência à atual ILHA DAS COBRAS, no documento denominado como “ILHA DA MADEIRA”.
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A denominação que atualmente designa a ilha (Ilha das Cobras), surge pela primeira vez, oficialmente, nessa “Crônica” produzida pelo Mosteiro de São Bento, segundo o historiador beneditino Dom Clemente Maria da Silva-Nigra (1903-1987): “Esta ilha era como a que chamão Rubraria no mar de Tarragona, porque tinha em si infinitas cobras e essas muy peçonhentas, e por isso lhe puserão por nome a ilha das Cobras. Depois que foy de S. Bento se vião lançar muitas ao mar e nadar pera a parte do Mosteiro. Depois que erão tantas que muitas vezes se achavão agasalhadas nos leitos, porem nunca fizerão mal algù, e em breve tempo se extinguirão de todo”
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Em 1579 a “Planta do Rio de Janeiro” do francês Jacques Vaux de claye, pela primeira vez retrata a ilha com a atual denominação. |
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Em 1583, a Ilha das Cobras pertencia ao mercador de escravos João Guterres Valério, utilizada para o desembarque e cativeiro dos negros africanos trazidos por ele para o Rio de Janeiro. Em 1589, Guterres abria falência, e a ilha foi adquirida pelos monges do mosteiro de São Bento por 15$300 réis, nessa ocasião passou a ser também identificada por Ilha dos Monges:
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1622-1623 - Desenho do holandês Nicolas Van Geelkerken, que correu a costa do RJ informando-se sobre as fortalezas, guarnições e seus apetrechos de defesa. A ilha aparece designada como a dos Monges. |
A CONSTRUÇÃO DAS FORTIFICAÇÕES
Desde o início, o Brasil foi considerado um alvo tentador para a recém-criada Companhia das Índias Ocidentais (Holanda). Aqui prosperava, da Paraíba ao Rio de Janeiro, a agroindústria do açúcar, sem falar do pau-brasil, couro e algodão. A conquista do Brasil não só renderia aos holandeses extraordinárias vantagens econômicas, bem como serviria de cabeça de ponte para estratégicos assaltos à tão visada Frota da Prata (espanhola). A partir de 1624, os rumores de uma possível invasão ao Rio de Janeiro pelos holandeses provocaram pânico. Os muros da cidadela do Castelo são refeitos (cercados com trincheiras, uma parte de taipa e pilão e a outra de pedra e cal).
A Fortaleza de São José foi a primeira fortificação da ilha datada de 1624. Tratava-se de uma fortificação rudimentar, desprovida de maiores recursos em termos de defesa, mas possuía privilegiada posição estratégica. Pela 1ª vez na história do RJ, a Ilha das Cobras foi então escolhida para sede de uma fortificação entre o MORRO DE SÃO BENTO e o FORTE DE SANTIAGO.
Antes da trégua com Portugal, a 14 de abril de 1638, o Conde holandês Maurício de Nassau comanda uma esquadra de 40 navios de guerra, a fim de retomar a cidade de Salvador. Mesmo não obtendo êxito, essa tentativa, aliada aos temores de possíveis ataques de corsários ingleses e franceses ao Rio de Janeiro, levaram o Governador Salvador Correia de Sá e Benevides, filho de Martim Correia de Sá, a construir uma nova fortaleza no que restou da original Fortaleza de São José, utilizando-se da mão-de-obra dos índios tutelados do mosteiro de São Bento. A nova fortaleza foi concluída originalmente em 1639, sendo rebatizada com o nome de Santa Margarida da Ilha das Cobras, em honra à regente portuguesa Dona Margarida de Sabóia, que governava Portugal em nome do Rei Felipe IV da Espanha, durante a União Ibérica.
A segunda fortaleza a ser construída na Ilha das Cobras foi o BALUARTE DE SANTO ANTÔNIO; seus trabalhos foram iniciados em 1702 e terminados em 1709. O Baluarte tinha o objetivo de cruzar fogos com o FORTE DE SANTIAGO (atual Museu Histórico Nacional).
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1710/1711 – Planta do Forte de Santa Margarida de autoria do Sargento-Mor Pedro Gomes Chaves. Descreve à esquerda na parte alta da ilha a Fortaleza de Santa Margarida e à direita, o Baluarte de Santo Antônio. |
Depois da bem sucedida invasão francesa ao Rio de Janeiro pelo corsário francês Duguay-Trouin em 1711, tornou-se necessário a construção de uma terceira fortaleza na Ilha das Cobras.
A partir de 1725, o Governador Luiz Vahia Monteiro obteve os recursos necessários para construir uma nova fortificação na Ilha das Cobras. Era imprescindível proteger os carregamentos de ouro para Portugal que passavam pelo porto do Rio. O Engenheiro-Mor português José da Silva Paes foi enviado para o Brasil. Seu planejamento incluiu tornar inacessíveis as escarpas da ilha, dando-lhe um aspecto de um castelo elevado. Assim, a fortaleza ficou composta por três fortes: o de Santa Margarida, que voltou a se chamar São José, com capela, casa do governador, casa da pólvora e corpo da guarda; o do Pau da Bandeira, no centro; e o de Santo Antônio, na ponta alongada e baixa, em direção à Ilha dos Ratos, hoje Ilha fiscal.
1736 – Planta da Fortaleza do Patriarca São José da Ilha das Cobras de autoria do Engenheiro-Mor José da Silva Paes. |
O século XVIII chegou ao fim com a conclusão das obras de defesa e a unificação das fortalezas sob a denominação de Fortaleza do Patriarca de São José da Ilha das Cobras.
Em 1790, as fortalezas que compõem o complexo dividiam com os fortes e baterias continentais a missão de salvaguardar a cidade do Rio de Janeiro.

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1790 - Plano de Marinha da frente da cidade do Rio de Janeiro com as suas fortificações e a fortaleza da Ilha das Cobras. Observa-se a preocupação em estabelecer o cruzamento de fogos entre a ilha e o continente. |
Com a transmigração da Família real Portuguesa para o Brasil e posterior declaração de guerra ao Imperador francês, a Brigada Real da Marinha, origem do Corpo de Fuzileiros Navais, participa ativamente da vitoriosa campanha contra as tropas francesas na retomada de Caiena. Após o conflito os fuzileiros são transferidos para a Fortaleza de São José da Ilha das Cobras em 21 de março de 1809, onde estão até hoje.
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1809 – os fuzileiros artilheiros desembarcam em Caiena
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