Atualmente dois terços da população mundial encontra-se localizada em uma estreita faixa de 300 Km de terra nas proximidades dos litorais. Assim, a capacidade de atuação nessas áreas cresce de importância, principalmente para as nações que desejam participar ativamente dos destinos globais em um mundo cada vez mais interdependente.
O Brasil, apesar de conviver pacificamente na comunidade internacional, pode vir a ser compelido a envolver-se em conflitos gerados externamente, devido a ameaças ao seu patrimônio e a interesses vitais, bem como em atendimento a compromissos assumidos junto a organismos internacionais, fruto do desejo brasileiro em assumir uma participação ativa no concerto das nações no século XXI.
A Marinha do Brasil, parcela das Forças Armadas com a responsabilidade de garantir os interesses brasileiros no mar e em áreas terrestres importantes para o desenvolvimento das campanhas navais, encontra-se estruturada como uma força moderna, de porte compatível com as atuais possibilidades do País, capaz de dissuadir possíveis agressores, favorecendo, assim, a busca de soluções pacíficas das controvérsias.
Uma das suas tarefas é a projeção de poder sobre terra. Para tanto, além do bombardeio naval e aeronaval da costa, poderá a Marinha valer-se dos fuzileiros navais para, a partir de operações de desembarque, controlar parcela do litoral que seja de interesse naval. Essas operações, comumente conhecidas como Operações Anfíbias, são consideradas por muitos como sendo as de execução mais complexa dentre todas as operações militares. Atualmente a MB dispõe de tropa profissional apta a executar, com rapidez e eficiência, ações terrestres de caráter naval, as quais lhe confere credibilidade quanto à sua capacidade projeção sobre terra.
As incertezas do mundo pós Guerra Fria valorizam, cada vez mais, forças como as de Fuzileiros Navais, vocacionadas para integrarem contigentes de intervenção rápida e de Forças de Paz. Assim, a capacidade anfíbia de que dispõe a MB, baseada em tropas profissionais, dotadas de grande mobilidade, com modernos meios e habituadas, por formação, adestramento e organização, aos condicionantes da guerr´pa no mar, exponencia a essa credibilidade. Hoje, mais do que nunca, a existência de uma tropa anfíbia constitui-se em valioso trunfo, cujas as potencialidades compensam amplamente os recursos despendidos na sua organização e manutenção. A flexibilidade anfíbia é o maior trunfo estratégico que um Poder Naval pode possuir, como sobejamente demonstrado no passado recente e longínquo.
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